FURUM PHILOSOPHICUM

comentarius quotidianus

O treinador da Holanda


Sabem como se chama o treinador da Holanda?



Eu não! Mas tenho a certeza que não se chama... Carlos Queirós.

A equipa da Holanda é melhor que a Portuguesa? Não!

Mas não joga na retranca, com medo. Não joga à Carlos Queiros, o homem da fuga para a frente...

Quem ainda não percebeu que um treinador de futebol é um general, e não um professor, ainda pode acreditar em Queirós para seleccionador de Portugal.

Eu até acho que Queirós é uma pessoa estimável, com o seu valor próprio; infelizmente, sofre de doença muito lusitana - quer sair para fora das suas tamancas...
 
Para perceber a frustração de quem quer ser "general" mas tem a personalidade do "professor" basta lembrar o velho ditado "quem pode faz, quem não pode ensina"!
 
Qualquer professor que deixe de dar valor à função do "mestre", que é uma das mais nobres tarefas que qualquer ser humano pode assumir - mas é uma tarefa essencialmente humilde, intimista, fora das luzes da ribalta! - qualquer professor que seja aliciado pelo brilho das vitórias  irá querer "fazer", e não "ensinar", irá andar a fingir que é um lider, um general, e ficará sempre aquém, nos momentos da verdade, da guerra pura, dos resultados que ambiciona e os outros esperam.

Fala-se, no caso de Queirós, do Campenonato Mundial que ganhou com a "geração de ouro", e não se percebe que essa vitória prova, exactamente, que Queirós é um bom professor, mas um general medíocre!!!  O que esses jovens necessitavam, nessa idade e nesse nível de competição, era de aprender bem e exprimir valorosamente essa aprendizagem... E isso, Queirós fez bem...

Foi essa vitória que deu a Queirós a ambição de querer ser general, e o levou a sair para fora das tamancas, qual sapateiro a querer tocar rabecão.

Nada do que Queirós deu aos jovens, e estes necessitavam, nesse famoso Campeonato Mundial, nada disso tem a ver com a competição dos seniores, com um campeonato mundial onde actuam os guerreiros mais maduros, mais matreiros e mais decididos do futebol internacional, que precisam de tudo menos da "mão amiga" de um professor...

No fundo, no fundo, Queirós sabia disto.

Mas como já está muito batido nestas andanças, gizou então o seu plano, um plano que serviu bem as suas ambições de permanecer como seleccionador nacional, mas que nunca foi um plano para levar ao limite do possível as capacidades competitivas da selecção portuguesa.

O plano foi jogar para chegar a todo o custo aos oitavos.

Sem qualquer ambição de criar um jogo próprio, de impôr as qualidades do seus jogadores e do futebol português, sem qualquer ambição de grandes vitórias, Queirós matou o espírito de vitória e de glória que, afinal, é aquele que poderia motivar jogadores que se movem nesse espírito e nessa alta roda da competição, como Cristiano Ronaldo ( a grande vítima, inevitavelmente, deste minimalismo de ambições de Queirós, desta sua falta de glória e ambição...), como Deco, Carvalho, Simão, MIguel, etc...

A fechar, e como prova final do que dizemos, basta perguntar: quem, dos jogadores portugueses, brilhou no Mundial?

Apenas dois jogadores: um, Eduardo. Quando o guarda-redes brilha, está tudo dito quanto à estratégia e fio de jogo de uma equipa...

O outro jogador foi Fábio Coentrão. Ora o Fábio Coentrão atingiu, neste ano, um patamar competitivo indestrutível por qualquer reserva táctica de treinador sem ambição, porque essa competitividade assenta na sua própria personalidade e no seu modo natural de jogar, reforçados por um treinador (Jorge Jesus) guerrerio e uma época de sucesso....

Portanto, são estes dois jogadores, os únicos que brilharam, que provam o aproveitamento quase nulo que Queirós retirou da maior parte da sua equipa. Queirós não potenciou a equipa, castrou-a.

Por mim, pode sair. 

ofilosofo

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Posted by OFILOSOFO at Friday, July 02, 2010 4:32:57 PM | View Comments (0) | Add Comment | Trackbacks (0)
A grande notícia que ninguém noticiou

Fixem a data - 25 de Março de 2010.

Há já mais de uma geração que não acontecia o que aconteceu a 25 de Março - o custo do dinheiro emprestado é agora maior para o Governo Federal que para o bilionário Warren Buffett!

É verdade, a partir de hoje fica mais caro ao Governo Americano pedir dinheiro emprestado, que à Berkshire Hathaway, a empresa de gestão de investimentos do multimilionário Warren Buffett.

Eu já tinha dito aqui, há algum tempo, que os Títulos do Tesouro Americano eram o paradigma do papel comercial sem risco. O Mercado considerava este Título, que oferece juros mais baixos, como o mais seguro - um Título que nunca falhava o seu pagamento!

Pois bem, tendo em conta o que aconteceu hoje, isso ACABOU!

Obama é um homem simpático, não há dúvida, e até bem intencionado - damos-lhe esse benefício da dúvida.

Mas anunciar "benesses gratuitas" do Governo, como "Cuidados de Saúde Gratuitos e Universais", como fazem os pequenos países a caminho do socialismo, como Portugal, é um erro CRASSO!!! É que Portugal já está a caminho da falência, e já começou a cortar "nas benesses gratuitas"!

Ora, ao contrário de Portugal, que é irrelevante para as Finanças Internacionais, os E.U.A. NÂO PODEM IR À FALÊNCIA!!!

Não há - essa é que é a verdade - benesses gratuitas de nenhum Governo! Tudo tem um custo.

No entanto, o Governo que promete essas benesses recebe votos daqueles cidadãos ignorantes ou espertos que não vão pagar os CUSTOS REAIS dessas benessses, ou seja, recebe os votos dos que pagam poucos ou nenhuns impostos e estão convencidos que, se o Governo cobrar impostos "aos outros",  arranjará dinheiro para dar lhes dar tudo a eles - saúde, educação, transportes, tudo à borla...

Que grande embuste!  

Como se vê hoje em Portugal - país que anda a viver de empréstimos e a gastar mais do que produz, como qualquer adolescente irresponsável - tanto o Partido Comunista como o BE não se preocupam nada com a DIVIDA EXTERNA. Como é evidente, são de esquerda!!! Ora a esquerda, como é anti-capitalista, não TEM DE HONRAR OU PAGAR DÍVIDAS!!!

É triste ver adultos supostamente inteligentes, como o sr. Miguel Portas, dizer que o PEC é capitulação (do sonho socialista). Nâo é possível fazer outra coisa, em relação a sonhos impossíveis e irresponsáveis, senão capitular... A questão é antes saber se "capitulámos" a tempo de evitar o pior.

Para o Sr. Miguel Portas, as soluções são simples... Avançou esta solução, por exemplo: os Alemães deviam começar a comprar mais, nomeadamente aos Países do Sul! Coitado do rapaz... Agora, para além de andar a dar bitaites aos Portugueses sobre como devem viver a vida deles, também vai dar instruções de vida aos Alemães. Que luminária... 

Então não íam os Alemães, só por ouvirem as ordens do sr. Portas, M., começar a gastar, em vez de  poupar, como querem fazer?

E pergunta-se, já agora: que venderíamos nós aos Alemães??? Onde estãos os stocks de mercadorias transacionáveis prontas a serem compradas pelo estimado Povo Alemão??? Claro, para Portas (M.),  este é um pequeno detalhe sem importância. Aliás, até podemos importar chinês e revender com lucro aos Alemães... Esperteza saloia, é connosco.

Bravo, sr. Portas (M.)

Entretanto, voltemos ao tema inicial. Parece que o futuro nos vai oferecer também uns quantos espectáculos de futura "capitulação", quando o Governo Federal dos Estados Unidos tiver juros sobre a sua DÍVIDA EXTERNA que não possa pagar. Para já, é a sua taxa de juro que começa a subir, paulatinamente, como subiu para Portugal, para a Grécia e outros países de fracas contas. 

Mas se os E.U.A. falharem qualquer pagamento dos triliões que já devem, ou vão ficar a dever, é o fim do sistema monetário internacional tal como hoje o conhecemos...

Aí , sim, o sr. Miguel Portas, entre as ruínas do sistema financeiro internacional, poderá fazer mais umas quantas das suas sugestões brilhantes!

A sugestão de Portas (M.)  talvez seja voltarmos aos Escudos! Mas para evitar ouvir o Salazar a rir na campa, Portas (M.) vai querer chamar-lhe outra vez os REIS. Ou então, para o socialismo ser ainda mais verdadeiro, e acabarmos de uma vez por todas com o capitalismo, voltamos ao sistema de troca directa. sem moeda - e, provávelmente. sem nada para trocar.

VIVAM AS BENESSES GRATUITAS!
 
ABAIXO AS BOAS CONTAS E A RESPONSABILIDADE DE NÂO GASTAR O QUE NÂO SE PRODUZ, NEM SE TEM GUARDADO (tipo as reservas de ouro do antigamente...).

ofilosofo                         Lisboa, 26Março 2010
 

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Posted by OFILOSOFO at Monday, March 29, 2010 6:54:00 AM | View Comments (0) | Add Comment | Trackbacks (0)
O recuo da Grande Alemanha
Depois de ter perdido duas Guerras Mundiais, a Alemanha percebeu que lutando sózinha contra tudo e contra todos para dominar a Europa, mesmo que conseguisse dominar a França, nunca conseguiria dominar o Reino Unido, mais ainda com as ligações que este tem aos Estados Unidos.

A França, entretanto, também percebeu, depois da II Grande Guerra, que já não era uma potência mundial com futuro, e que iria perder a sua relevância internacional, até a nível cultural.

Foi assim que, juntas, a Alemanha e a  França resolveram dar as mãos e criar os Estados Unidos da Europa.

A Inglaterra, quando viu este conluio, desconfiou... Mas como, apesar de tudo, não tem maneira de ficar de fora de um mercado europeu, O Reino Unido adere - mas, atenção, adere à U.E. apenas a meia haste, já que não participa no Marco, perdão, no Euro.

Além disso, o Reino Unido mantém várias "especificidades", como sejam vantagens fiscais nos investimentos feitos na City de Londres, (forma matreira de concorrência fiscal que retira toda a coerência a uma U.E. "Social"), benefícios fiscais esses que levaram à City uma enorme riqueza mas também, hélas!, trouxeram em anos recentes enorme quantidade de créditos "tóxicos", que contagiaram o sistema bancário e acabaram rebentando com a Islândia, deixaram a Irlanda de rastos, e trouxeram a senhora LIbra quase para o valor do Euro. 

Convém perceber o que ninguém diz abertamente - a crise da Europa é provocada pela China, por mais ninguém! É a enorme capacidade produtiva e competitiva da economia Chinesa que destrói o velho tecido industrial das economias europeias mais atrasadas... Mas a Alemanha, que continua com "superavit", não quer pagar os custos da reconversão da economia dos países que foram destruídos pela China.

Vai daí, a Alemanha permite a intervenção do FMI, para salvar a Grécia.

É o adiamento do Euro, enquanto moeda de referência mundial.

Entretanto o Dólar, teóricamente, estaria hoje sujeito à maior  pressão inflacionista e desvalorizadora de sempre, provocada pelas suas recentes políticas estatistas - uso do dinheiro do Estado para evitar a falência de bancos e para criar um Estado Providência Americano, o que obriga o Estado a dispender fortunas que não tem e, portanto, a imprimir notas de Dolar a uma velocidade vertiginosa. Contudo, o Dólar mantém-se com um valor estável, como o Polícia da Economia

No fundo, percebe-se a razão - os Estados Unidos continuam a ter uma capacidade bélica muito superior a qualquer outro País, e com isso sossegam todos os ricos, que compram dólares para ter a sua fortuna debaixo da protectora asa da Águia Americana!

Perante isto, não é de estranhar que seja o FMI, organismo protector do sistema financeiro assente no Dólar, a aparecer como a braçadeira electrónica que fica no pulso do País criminoso, até ele pagar as dívidas...


Entretanto, a Alemanha perdeu uma oportunidade de conquistar admiradores e apoiantes na UE... A Águia do Grande Reich encolheu-se...

ofilosofo
   

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Posted by OFILOSOFO at Sunday, March 28, 2010 2:54:00 AM | View Comments (0) | Add Comment | Trackbacks (0)
Um FMI Europeu?
Boas... ou más notícias?

Bem, que haja alguém que diga ao "mano europeu" gastador e de más contas que tenha juízo, trabalhe mais e brinque menos, venda mais e compre menos - acho bem! É claro que os "bons irmãos" não têm que andar a pagar os disparates do "mano caloteiro"....

Dito isto, ou seja, assim rearfimado o primado capitaiista das "boas contas" sobre a irresponsável "generosidade" dos esquerdistas que acham ter legitimidade para não pagar o que devem, porque o Estado "Robin Hood" tem de favorecer os pobres roubando aos ricos - não, o Estado tem de ser pessoa de Bem, sob pena de se tornar tirânico, e nenhuma tirania é boa, nem mesmo aquela que se justifica com os pobres - vamos passar a outra questão mais importante e menos visível - mas quem é, e como é democraticamente controlado, esse FMI Europeu???

Não precisamos de tutelas escondidas, onde os ricos, no lado oposto aos esquerdistas do Estado Robin Hood, se escondem e esperam, calmamente, para serem chamados a apagar o fogo e, ai, ditarem as suas condições de forma discricionára, em planos de "salvação nacional" que os próprios cidadãos a que se aplicam os ditos planos não puderam discutir ou ratificar...

Afinal, entenda-se isto: os países ricos da Europa não podem simplesmente mandar nos países pobres... O défice dos países pobres, não esqueçamos, é o superavit dos países ricos!!!!

Não estivesse a China a "roubar" tanta exportação aos Alemães e estes estariam mais disponíveis para ajudar a Grécia - ou seja, se a Grécia comprasse na Alemanha o que compra na China (e noutros fornecedores fora da Europa),  o problema seria outro...

Haveria défice, sim, mas não o enfraquecimento do EURO

É o enfraquecimento do Euro, com as suas perigosas consequencias na especulação monetária e no equilibrio do comércio internacional que preocupa sobremaneira os paises ricos da Europa. A luta é entre um  dólar enfraquecido pela crise e pela impressão desenfreada de notas que o FED está a fazer, para salvar os bancos americanos, dólar esse que tenta manter-se como a divisa internacional, e um Euro que parecia, não há muitos meses atrás, poder vir a competir com ele como divisa de referência no mercado financeiro internacional, com todas as enormes vantagens que advêm daí - na prática, o Estados Unidos vendem-nos o seu défice de cada vez que nos vendem um Dólar!!!.

E que sanções se aplicam aos EUA pelo seu défice? Qual é o FMI que vai lá dar ordens???

FMI Europeu???  Muito cuidado.

Essa é que é a questão fundamental, por detrás deste FMI EUROPEU.

ofilosofo - 8 de MArço de 2010
 

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Posted by OFILOSOFO at Monday, March 08, 2010 5:02:00 PM | View Comments (0) | Add Comment | Trackbacks (0)
AINDA SOBRE A LIBRA ESTERLINA, OU MELHOR, O BANCO DE INGLATERRA

The Bank of England, Threadneedle Street




O  BANCO DE INGLATERRA



Voltamos ao tema da Libra e do Euro.

E voltamos apenas para, depois de zurzir um pouco no orgulho e arrogância dos Britânicos, referir que a adesão da Inglaterra ao Euro seria excepcional para o Euro, porque o Reino Unido tem um tradição financeira invejável.

 
O Banco de Inglaterra foi fundado em 1694!!!

Para além da credibilidade que merece uma instituição com este historial, a tradição liberal Inglesa de respeito pelos direitos do cidadão - do Cidadão Comum, que deu nome ao Parlamento Inglês, chamado "A CASA DOS CIDADÃOS COMUNS" - deixa marcas que gostaríamos de ver numa Europa demasiado Estatista e Burocratica, onde as instituições esmagam os indivíduos em vez de os servirem.

Veja-se então este exemplo do Banco de Inglaterra: 

Cito:
All Bank of England notes from which legal tender status has been withdrawn remain payable at face value forever at the Bank of England in London. Any such notes may be presented for payment either in person during business hours, or sent to us by post.

Traduzindo: Todas as notas do Banco de Inglaterra a que foi retirado o seu valor legal continuam pagáveis pelo seu valor facial, para sempre, no Banco de Inglaterra, em Londres.
Quaisquer dessas notas podem ser apresentadas para pagamento, seja pessoalmente durante as horas de expediente, ou remetidas pelo correio.

Comparemos com o nosso querido
Banco de Portugal, que diz:

"No dia 28 de Fevereiro de 2002, as
notas de escudos deixaram de ter curso legal e poder liberatório. Poderão, no entanto, ser trocadas por notas de euros, apenas no Banco de Portugal, até 28 de Fevereiro de 2022.

As notas mais antigas (que já não se encontravam em circulação) também podem ser trocadas, de acordo com a Lei Orgânica do Banco de Portugal, durante um período de 20 anos a contar da sua retirada de circulação.

As moedas de escudos já não podem ser trocadas por euros: os prazos estipulados terminaram em 30 de Junho de 2002 (nas instituições de crédito e nas tesourarias da Fazenda Pública) e 31 de Dezembro de 2002 (no Banco de Portugal)."

-------   E pronto!!! Vejam a diferença... Vejam bem a diferença.

Aqui para nós, que ninguém nos ouve, concluimos então que talvez fosse óptimo que a Libra aderisse ao Euro, para trazer alguma honorabilidade e respeito aos Bancos Centrais da Europa Continental. A falta de respeito pela palavra dada ao cidadão, em Portugal, limitando no tempo, de maneira tão mesquinha, o pagamento do valor da moeda nacional emitida, levaria decerto uma grande volta, se os amigos Ingleses exigissem do Euro o que estão habituados a exigir da Libra.

João Seabra Botelho
ofilosofo



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Posted by OFILOSOFO at Friday, January 09, 2009 7:41:00 AM | View Comments (0) | Add Comment | Trackbacks (0)
E SE AGORA DISSÉSSEMOS NÃO?




A grande Velha Albion, a orgulhosa monarquia do Reino Unido, em suma, a Inglaterra da condução em contra-mão e medidas com polegadas e com pés, sempre entendeu, apesar da criação do Euro, que tinha de defender a LIBRA Esterlina.

Entende-se.

Só que agora, depois de vários anos em que bateu o pé ao EURO, e manteve a cotação da sua moeda muito acima da moeda europeia, aconteceu o grande trambolhão dos vigaristas de Wall Street, que arrastaram os Lordes da City. 
De facto, apesar de terem um estilo muito mais circunspecto - o fato escuro, o chapéu de coco e a bengala, ou o guarda-chuva dão sempre um ar sério - os Lordes também perdem, por vezes, a cabeça pelo dinheiro. A tentação é muita e a carne é fraca.

Vai daí, meteram-se também nos esquemas de securitização, revenda de créditos supostamente seguros, em fim, aquela tralha toda que uns génios das finanças inventaram para depenar milionários - o que, veja-se, até é um acto meritório, tendo em conta que, normalmente, são os milionários que passam a vida a depenar os outros.

Por isso é que esta crise afecta pouco o cidadão europeu normal... Ao contrário do que se passa nos E.U.A., em que há capitalismo popular a sério, isto é, há muita gente da classe média que investiu as suas poupanças de reforma no mercado de capitais, a maioria dos Europeus tem as suas poupanças entregues à Segurança Social. 

Foram, sobretudo, os ricos e os muitos ricos da Europa que perderam muito dinheiro com esta crise. E o cidadão comum perde apenas por reflexo, na medida em que há retracção no investimento e no consumo ( parece que os pobres confiam nos ricos para lhes dizer quando é que devem, ou não, confiar na economia...), falência de empresas e perca de empregos.



Tanto dinheiro perdeu a City, que a LIBRA  vale agora quase o mesmo que o EURO!


Então, coloca-se a questão:

- será que é agora que o Reino Unido vai aderir ao Euro, antes que a Libra venha ainda mais para baixo???? 

Não sei. Mas se eles vierem com essa ideia agora, agora vamos dizer : N Ã O!

Porquê? Por uma questão de respeito.

É por uma questão de respeito que o Durão Barroso não devia ter saído de Primeiro-Ministro de Portugal para Comissário Europeu. Mas saíu. E quem nos respeita? Ninguém... Pois!... Se não nos respeitamos a nós-próprios!

O mesmo se vai passar com a Libra. Eu não estou interessado, enquanto Português, e que paguei um aumento brutal dos preços no meu País, para aderir ao 1º Pelotão do Euro, em ir agora comprar os activos duvidosos, senão tóxicos, dos nossos amigos da CITY por preço de favor nem comprar  a Libra quando ela ainda não bateu no fundo.

Têm dívidas? Paguem. Quando tiverem tudo sãozinho, então negociamos.
 
Estabelecemos um período de teste, para ver se podem aderir sem perturbar o valor e a credibilidade do Euro, e então depois aderem. Assim é que é.
 
Portanto, continuem a desvalorizar a Libra, até que ela bata no fundo - ou seja, até o mercado financeiro dizer, (NÂO OS POLÍTICOS, com os arranjinhos de conveniência a serem pagos pelo mexilhão): já chega, esse é o valor real da Libra.

Aí sim, já podem aderir. Entretanto, nessa altura eu vou aproveitar a oportunidade para ir comprar o meu chapéu de côco e visitar de novo a excitante cidade de Londres.

(Já agora, só mais uma pequena adivinha: por que razão a Libra desvalorizou (como se esperava e deve ser, dadas as enormes percas financeiras que sofreu a economia Inglesa- e o nosso querido USD (Dolar dos EUA) continua de tão boa saúde?????)

Diz o nosso Povo, com a razão de novecentos anos de experiência (e o Diabo sabe muito, não por ser esperto, mas por ser velho!)

"Candeia que vai à frente alumia duas vezes."

João Seabra Botelho
ofilosofo

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Posted by OFILOSOFO at Friday, January 09, 2009 6:26:00 AM | View Comments (0) | Add Comment | Trackbacks (0)
Os Simpsons ... estão de TANGA.


                                     A DÍVIDA DO ESTADO

No País que tantas vezes é referido como o mais vivo símbolo do Capitalismo e do Empreendedorismo - e que até o será, se atentarmos na sua História e na sua complexa realidade social e económica - desenvolve-se em espiral de assustadora multiplicação de zeros a mui nobre e socialista Dívida do Estado.

Como todas as dívidas, ela só existe enquanto o binómio credor/devedor mantiver o consenso sobre a existência dessa dívida.
 
Veja-se, por exemplo, o recentíssimo caso do Equador, país que não pagou, há dias, milhões de dólares a credores do Estado negando, pura e simplesmente, a existência da dívida.... 

Ora, para chegar aí, o Presidente do Equador apenas teve que dizer que a dívida era imoral, contraída por políticos corruptos e com juros de usura. Depois, usando o seu poder presidencial, o Presidente do Equador ordenou o NÃO PAGAMENTO!!!

E para não encerrar o assunto de forma tão seca, dispôe-se, "generosamente", a renegociar a dívida "com grande desconto"...

Aqui temos, então, uma certa América Latina, no seu melhor (?)

Vejamos, então, passo a passo, um esquema que se vai repetindo nos ultimos decénios, desde que as ideologias políticas introduziram na Economia novas oportunidades e meios de "negociar". 

O ESQUEMA DOS PAÌSES QUE NÂO PAGAM

primeiro: o empréstimo
 
Alguns políticos corruptos ganham umas eleições (no Equador, ou noutro país qualquer) ou fazem um golpe de Estado.

Uma vez no Poder, e para avançarem com a Obra Prometida, contratam grandes créditos a uns capitalistas "idiotas" do estrangeiro. 

Como esses capitalistas não são tão idiotas assim e já sabem o risco que correm, nem se sentem obrigados a ser beneméritos defensores de um povo que elegeu os corruptos, ou consentiu no golpe de estado, fazem empréstimos a juros altíssimos - por exemplo, na Argentina, meses antes da última crise e desvalorização do peso, particulares, banca e empresas contraíam empréstimos a uma firma Canadiana de investimento de risco a 90% de juro anual... -
 
segundo: o desvio dos fundos

de seguida, grande parte do valor dos créditos recebidos em moeda estrangeira (Dollar ou Euro, por ex.) é desbaratada e distribuida pelos amigos que estáo no Poder. Esses poderosos desviam rápidamente os fundos para as suas contas pessoais em Países Muito Sérios...

terceiro: o Pagamento

Depois, há que pagar! Sim, o Estado, segundo o contrato assinado em livro de honra pelos Governantes, contrato aprovado em Ministério, senão mesmo em Parlamento, vai ter de pagar o empréstimo.
 
Mas como? Onde está o dinheiro para pagar?

- Se não há investimento nem riqueza gerada (uma vez que os empréstimos foram malbaratados),
 - se baixou o preço das matérias primas desse País (por exemplo, os preços do petróleo baixaram, e uns meses depois o Equador não pagou - simples de entender, não é???)

então é óbvio que não há dinheiro para pagar, pois os impostos e as exportações não chegam para poupar divisas para pagar a dívida... Ao fim de uns meses, ou anos, (depende do tempo necessário para se fazerem outras eleiçoes ou outro golpe de Estado), tomam posse novos corruptos e lá aparece o Político Salvador que diz: eu não pago!!!

O Povo, extasiado, agradece, reconhecido.

 Os capitalistas estrangeiros resignam-se, porque não podem armar um exército e ir dar tau-tau nos meninos. Já lai vai o "bom tempo" da política da Canhoneira. Lembram-se do Ultimatum que os nossos queridos Aliados Ingleses nos fizeram.... (E nós não devíamos nada!!!!!). Preferem então conquistar os países com capital e capitalismo, embora as virtudes do bom capitalismo também tendam a escassear, dada a ganância que grassa como erva daninha pelo meio dos prados financeiros e bancários...

quarto: vira o disco e toca o mesmo

Tudo continua, então, em equilíbrio: para grandes corruptos da Política, grandes Especuladores da Finança...

De facto, estão todos bem uns para os outros... Enquanto o negócio der, para quê mudar???


                                        A DÍVIDA DO TIO SAM

A Dívida Estatal dos Estados Unidos da América, porém, é diferente... 

Tem de ser diferente!

Enquanto próceres do Capitalismo, orgulhosos emissores do único "papel comercial" que, no mundo, é considerado o simbolo do "risco zero" - os títulos do Tesouro Federal - os EUA  não se podem atrever a dizer:
EU NÃO PAGO!!!!

Mas o panorama é verdadeiramente assustador, porque todos os Presidentes Americanos dos últimos cem anos têm prometido baixar a Dívida Pública e...     no entanto...       ela tem evoluído da seguinte forma:


Dívida do Governo dos Estados Unidos, em
"biliões" de dólares

1930

$16

1940

$43

1950

$257

1960

$290

1970

$389

1980

$930

1990

$3,233

2000

$5,674

2008

$11,000


                                                                                                            UAUUUUHHUUU!!!!

                                                                                    

                         OS SIMPSONS ESTÃO (MESMO) DE TANGA!!!

Lembro que "biliões", para os Americanos, são os nossos milhares de milhões.

Assim, a dívida em 1930 era de            16.000.000.000.        (dezasseis mil milhões - nove zeros)

Hoje, é de:                                           11.000.000.000.000.        (onze biliões - milhões de milhões - doze zeros)

A estes valores de doze zeros chamam os Americanos "triliões".
 
Segundo os entendidos, este valor não inclui outras responsabilidades do Governo Federal, como a Segurança Social e o Sistema Nacional de Saúde (Medicare), o que elevaria o valor para 50 triliões!!!

Claro que não podemos avaliar a dificuldade de pagar uma dívida mencionando apenas o valor dela. Temos de referir os rendimentos do devedor, para saber se pode, ou não, pagar a dívida. 

Ora o PIB dos Estados Unidos da América é de treze triliões!!!  A divida, portanto, sem a Segurança Social e o Medicare, já quase iguala o PIB. 

Quanto deve, então, cada Cidadão Americano, por causa da Dívida Federal?

CADA CIDADÃO AMERICANO (MULHER, HOMEM OU CRIANÇA) DEVE : 175.000 USD.

PASSANDO PARA O VELHO ESCUDO, SERIA ALGO COMO: 35 MIL CONTOS CADA CIDADÃO.

Felizmente para todos nós, os credores - e somos todos credores enquanto o Dólar for a moeda de referência, o que faz da sua desvalorização um custo que todos pagamos - a economia Americana ainda funciona e produz treze triliões por ano. 

E  apesar de Obama ser "de esquerda", está muito longe de ser, ou de poder ser, "esquerdista", como o actual Presidente do Equador, ou o Presidente da Venezuela, ou o Presidente da Bolívia, presidentes que gostam de facturar os Dólares do petróleo aos Capitalistas, mas não se sentem obrigados a pagar "dívidas imorais".

Portanto, não sendo um presidente esquerdista, Obama não vai poder dizer: Eu não pago! 

Será então que a Economia Americana vai conseguir gerar suficiente riqueza para honrar a sua dívida?
 
Ou vão vencer os Capitalistas Especuladores, que usando uma vez mais a malfadada engenharia financeira, irão pela desvalorização do Dólar fazer de conta que pagam a dívida, mas sem realmente a pagar...????

É que, como se compreende, se o Dólar desvalorizar cinquenta por cento em dois anos ou três, METADE DA DÌVIDA FICA PAGA!!! 

Entretanto, um instituto económico fez uma lista das entidades mundiais com maior LIQUIDEZ, que poderãop desempenhar papel importante de "motores de investimento".

Em primeiro lugar, a Berkshire de Warren Buffett. Não é de estranhar... (O Capitalismo honesto também compensa.)

Então e quem ficou em segundo e terceiro lugar???? Fica aqui a adivinha!  ( veja resposta na última linha...)

Esperam-nos tempos muito interessantes.

João Seabra Botelho
ofilosofo 

Resposta: Dois Bancos Chineses. 

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Posted by OFILOSOFO at Wednesday, December 17, 2008 12:32:00 PM | View Comments (0) | Add Comment | Trackbacks (0)
Constâncio pede a Sócrates para lhe pagar o favor que lhe deve....

Aforismo Político

Primeiro, lembremos George Bernard Shaw, que dizia:
 "Governo que rouba a Pedro para dar ao Paulo, vai sempre poder contar com o apoio do Paulo".


O GRANDE FAVOR


Vitor Constâncio nunca foi homem que tivesse forte coluna vertebral. Economista supostamente competente (a presente crise mostra que não há muitos economistas competentes...), viu-se na sua curta experiência como secretário-geral do PS que era um homem de gabinete, sem a coragem e a ambição de um lider político.

Quando Sócrates, para ganhar a Santana Lopes, encetou a grande operação de fazer esquecer Guterres e o seu forrobodó despesista, resolveu avançar para a campanha eleitoral com a mentira de não aumentar impostos.

Foi então a Vitor Constâncio que recorreu para, depois de ganhas as eleições com aquela falsa promessa, montar todo um vistoso esquema de "revisão" do déficit, para justificar, com base nos valores calculados pelo sr. Governador do Banco de Portugal, o aumento brutal dos impostos sobre as famílias, as reformas, os funcionários públicos, etc...

Constâncio fez-lhe o frete, solicito como sempre, aparecendo com os seus cálculos mágicos algumas semanas depois das eleiçoes, e apresentando na Assembleia da República o célebre déficit de 6,8. BRILHANTE!

Toda aquela encenação era como que um gato que deixava de fora o seguinte rabo: então o Sr. Vitor Constâncio não podia ter feito essas contas antes das Eleições, quando José Sócrates preparava as promessas eleitorais????

Sim, claro que podia! Mas se as tivesse feito, Sócrates seria forçado a prometer ... aumento de impostos. Teria ganho as eleições????

Ora, Sócrates não podia perder as eleições, porque dependente da vitória dessas eleições estava também o mais alto magistrado da Nação, Jorge Sampaio, que mandara dissolver um Parlamento com uma maioria eleita e a governar... Logo, repete-se, Sócrates não podia perder...

Vai daí, todos empurraram Constâncio para aquele teatrinho, e este vendeu-se por trinta dinheiros.

Agora, Constâncio passa dois annus horribilis, com os escândalos da Banca ( BCP, BPN, etc...), em que a sua actuação como Governador mostra, uma vez mais, que é homem sem coluna vertebral. Ou com falta de ...

Jardim Gonçalves e "sus muchachos", Oliveira Costa e "sus bandidos" fizeram gato sapato da Supervisão!


SUPERVISIONANDO... O POBRE CIDADÃO COMUM.

Ontem, fui ao Banco pedir um cartão multibanco. Pediram-me para declarar a minha profissão... RECUSEI.

Já tenho aquela conta bancária há vinte anos, não vou dar mais informações sobre mim ou a minha vida!!!!

Perguntei onde estava escrito que eu tinha de informar a minha profissão ao Banco, uma mera empresa privada armando-se em Polícia de Costumes. Mostraram-me um Aviso do Banco de Portugal, assinado pelo Sr. Vitor Constâncio.

Desde quando um Aviso do Banco de Portugal tem capacidade constitucional para me coagir???? E quem me diz que os Bancos cumprem a Lei da Privacidade dos Dados Pessoais???? 

Ah, grande Vitinho!!!!  Sempre pronto a chatiar e desrespeitar o Cidadão Comum, e tão obsequioso com os "Jardim" e os "Costa".

Constâncio, enche-te de alguma nobreza, e demite-te.  

Ao invés, como te sabem bem os dezassete mil euros por mês, pediste ao teu amigo Sócrates para te manter no lugar... Paga o favorzinho, Sócrates, paga. Vocês são todos da mesma escola, não são?????  

João Seabra Botelho
ofilosofo

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Posted by OFILOSOFO at Sunday, November 30, 2008 9:00:00 AM | View Comments (1) | Add Comment | Trackbacks (0)
Sangue nas ruas... dos outros!

Napoleão (Por Nimesh Desai)

          Diz-se que na sequência da turbulência gerada pela aventura dos 100 dias que Napoleão iniciou com a fuga de Elba e que terminou na derrota de Waterloo e exílio para Sta Helena, Nathan Roschild teria feito o seguinte comentário: " deve-se comprar quando o sangue corre pelas ruas".
 
Este comentário terá tanto de verdadeiro, do ponto de visto do negócio e da frieza dos números, como do ponto de vista da análise, mesmo que cruel, da natureza humana e do que costuma chamar-se "a psicologia das multidões".

O Cidadão Comum assiste com alguma perplexidade a esta crise do Capitalismo. E tenta perceber onde está a gravidade da situação, não tanto para a economia global, de que não tem grande conhecimento, mas para a sua vida diária...

Quanto aos ricos, estamos conversados: os menos espertos e mais gananciosos, os que arriscaram em demasia para obter maiores e mais rápidos ganhos, estão a perder fortunas... Mas as fortunas que uns perdem, são as fortunas que outros ganham, os que, como a família Roschild, sabem, há gerações, aguardar até que o "sangue corra nas ruas".

Toda esta crise, percebe o Cidadão Comum depois de algumas leituras na Net (abençoada Net...), tem a sua origem no seguinte: instrumentos financeiros ( como, por exemplo, os CDS, "Credit Default Swaps", ou os CDOs, "Collateralized Debt Obligation"), derivativos a que Warren Buffet chamou " as armas de destruição em massa...da "massa".

Inventados para diminuir e espalhar o risco, estes "derivativos" ( derivativos porque o seu valor não depende de si-próprios, mas do valor de outros papéis financeiros a que estão referenciados, como hipotecas, obrigações, acções, etc...), tiveram, afinal, um efeito exactamente contrário, e desvastador: agravaram o risco, porque o "esconderam" e, á medida que o risco aumentava com a crise do Imobiliário, impediram a sua correcta avaliação. Assim, a chamada "securitização", que foi a palavra mágica dos meninos espertos de Wall Street que se espalhou pelos comentaristas económicos de todo o mundo, acabou sendo a "mistificação". O remédio virou veneno. 
 
A piorar a situação, ocorreram duas "estratégias políticas" que contribuiram para potenciar a crise:
- Bill Clinton "mandou" facilitar a atribuição de crédito às crescentes minorias étnicas (afro-americanos e hispânicos) que, em estados como a Califórnia, se preparavam para passar de minorias a maiorias...
- Greenspan, Presidente da Reserva Federal, decidiu tornar o dinheiro mais barato e encharcar a América de liquidez; isso aumentou a facilidade dos "bancos de investimento" em alavancar os negócios financeiros especulativos, nomeadamente o dos "derivativos", e reforçou as "facilidades" ordenadas por Clinton, o que induziu milhões de famílias a endividarem-se excessivamente na compra de casas supostamente em valorização.
 
Foi a "bolha do Imobiliário", que se seguiu à anterior "bolha das Tecnológicas"! 

Os gigantescos bancos americanos de investimentos, com todo aquele dinheiro disponível - e Greenspan a baixar os juros -fizeram então o mesmo que o transmontano que se empanturra no Verão com as alheiras que devia guardar para o Inverno. E apanharam uma congestão!

Paradoxalmente, os CDS e os CDOs, e outros produtos financeiros similares, vistos, agora, como créditos "tóxicos" que envenenaram as mais poderosas instituições financeiras de Wall Street, partiam de um princípio, aceite como estatisticamente certo, de que é possível e desejável repartir o risco de créditos maus, diluindo-os em grupos de créditos bons. Diminuir o risco, diminuir o risco - era a receita mágica do investimento, a febre dos "Fundos de Margem" (Hedge Funds), que atrairam biliões aos cofres da Ilha de Manhattan.

Tudo parecia correr bem. 

Na verdade, a ideia até não era má... Assim, um CDO, por exemplo, agrupa cinco mil empréstimos de habitação num mesmo pacote, que é vendido em três tranches, cada qual com riscos crescentes e remunerações proporcionais. A intenção é que, caso haja falhas no pagamento de alguns empréstimos, quem primeiro perde dinheiro é o comprador da tranche "mais ambiciosa", enquanto que o comprador da tranche mais conservadora, conforme a estatística, provavelmente nem chegará a ser afectado.

Funciona aqui a mesma lógica que usamos nos seguros... Se dez milhões de automobilistas pagarem um seguro e só dez mil tiverem acidentes, tudo funciona bem. Tão bem, que até os que guiam mal e estão sempre "a bater" vêem os seus arranjos pagos pela companhia de seguros, isto é, pelo prémio dos outros condutores que não "batem".

Mas é óbvio que esta "segurança" acaba no momento em que o número de maus condutores, ou de acidentes, aumente exponencialmente... Se cinco milhões baterem, onde está o dinheiro que chegue para pagar os arranjos??? 

Foi isto que fez cair, entre outros, a gigantesca A.I.G., que patrocina a "camisola" do nosso Cristiano Ronaldo, quando joga pelo Manchester... A A.I.G. aceitou "segurar" hipotecas de emprétimos de habitação por pequenas quantias de prémio. E enquanto o Imobiliário esteve bem, milhóes de hipotecas de empréstimos de habitação contribuiram, cada qual com o seu pequeno prémio, e todos somados, para os milhões de um lucro inesperado e inusitado, milhões que fizeram a felicidade, a fortuna e o prestígio dos executivos da A.I.G., pomposamente instalados na sua torre nova-iorquina, a trocarem elogios mútuos e taças de champanhe....

Mas... e quando esses milhões de créditos à habitação entraram em incumprimento?
 
Claro, não havia liquidez que chegasse para pagar todas as apólices!!! De um dia para o outro, começaram a chover, às catadupas, as hipotecas e os créditos mal-parados, para serem redimidas pelo dinheirinho do valor segurado!!!

O Cidadão Comum até fica com vontade de rir, ao ver todos estes génios das finanças em tão maus lençóis. É sempre bom o banho de humildade... Resta saber se aprenderão alguma coisa!

Entretanto, a recessão aproxima-se a passos largos.

Para o Cidadão Comum, em Portugal, não parece tão mau assim: afinal, as taxas de juro vão baixar, e também as prestações dos empréstimos bancários... O desemprego pode aumentar, mas já tinha aumentado tanto nos dois últimos anos, que a diferença não pode ser muita.... O petróleo baixou, e mesmo que volte a aumentar, toda a baixa, enquanto durar, é bem vinda...

Já do lado positivo, temos que algumas das nossas características vão ganhar com a crise...
 
Ora vejamos:
1- Está garantido o pagamento a 700.000 funcionários publicos e a 300.000 reformados e pensionistas sem o défice público ultrapassar os limites impostos por "mamã Europa" ( o Cidadão Comum aguentou com o aperto brutal da tenaz do fisco, e as habituais fugas dos mais poderosos também diminuiram!). Portanto, está garantida a estabilidade política, que depende essencialmente deste universo de votantes.

2 - Permanece a relativa segurança com que se vive em Portugal, e a simpatia e brandura dos nossos costumes (apesar de alterações demográficas e culturais que aumentaram os riscos).
 
3- Mantém-se a solidez do nosso sistema bancário, que passou pelos "escândalos" antes da "crise" e agora está "muito bem comportado" e pouco envolvido, ao que parece, nos créditos "tóxicos";

4 - Continua sólida a dinâmica política voluntarista do "centrão", chefiada por um Sócrates trabalhador e um Cavaco professor de Economia, dupla ideal para a situação presente;
 
5 - Desenvolve-se a boa relação da nossa economia com "economias emergentes" no universo da CPLP (Brazil e Angola); 

6 - Mantém-se a nossa capacidade de emigrar para a Europa , para receber salários Europeus e mandar algum para a "terrinha", e de receber imigrantes com mais vontade de trabalhar que os portugueses que cá ficam...

7 - Mantemos intactas as dádivas da boa culinária, do bom clima, e de um secreto carisma Português que nem nós sabemos muito bem o que é, mas que tem a ver com a natureza de um povo que, desde há muito, tem sido criticado ou ridicularizado, como analfabeto, ignorante e tacanho, pelas suas elites vanguardistas (liberais, republicanos, marxistas)  e que, hoje, já não o é... Hoje, até os tão criticados três "F" - Fátima. Futebol e Fado, em que se perdiam e degradavam as "massas populares" vítimas do "obscurantismo",  parece que até estão na moda ou, pelo menos, já não ficam mal a ninguém; Fátima foi ratificada e exaltada pelo Papa mais importante do século XX, o fado é uma das nossas características peculiares e "música da cultura mundial", e o resto são capacidades e talentos para brilhar numa grande indústria europeia (a indústria do espectáculo da bola) e ganhar salários nunca vistos!!!

Estamos, portanto, após 4 anos de crise e jejum, prontinhos para aproveitar a retoma Europeia que vai dar-se dentro de dois anos... Fortalecidos pelo esforço e emagrecimento destes anos "socráticos" e libertos da sensação de inferioridade por vermos todo o mundo padecer de crises piores que a nossa, e terem dívidas colossais que tornam ridícula a nossa própria dívida... Aí vamos, secretamenter confiantes, em direcção ao futuro!

Desta vez, talvez os nossos empresários até sejam suficientemente espertos para perceber qual a oferta que podemos disponibilizar aos nossos "clientes" - pois tudo, em última análise, se decide no equilíbrio entre "exportações" e "importações" - em vez de tentarmos vender aquilo que chineses e indianos fazem mais barato.


João Seabra Botelho
ofilosofo

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Posted by OFILOSOFO at Friday, November 14, 2008 6:44:00 PM | View Comments (1) | Add Comment | Trackbacks (0)
Poema? Talvez...


Talvez é a minha palavra favorita.
Abre todas as portas e não nos deixa
Presos à palavra dita.

Serei cobarde, ou só medroso, ou só?

Estar só mete medo?

Não, estar só é um deleite, manhã bem cedo,
Mas já à noite ... Faz dó.

Condenados à solidão?
Estamos todos! Densos, brutos,
Mesmo se redondos não conseguimos
Unir a nossa alma aos outros, tontos.

Talvez.

Talvez, aqui, talvez seja esperança...
Não traz alguma diferença ao "sempre só"?
Para sempre, a solidão?
Para sempre, ou talvez não.

Vês?

Tal vês?
 
Quem sabe se ainda aprendemos
E fraquejamos na nossa estupidez?

João Seabra Botelho
6 de Dezembro de 2008

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Posted by OFILOSOFO at Thursday, November 13, 2008 9:20:00 PM | View Comments (0) | Add Comment | Trackbacks (0)