A carta
This entry was posted on Thursday, May 31, 2007 2:05:00 PM and is filed under uncategorized.
Ouvi hoje na rádio que, em Itália, os condenados a prisão perpétua escreveram uma carta ao Presidente da República pedindo a REINSTITUIÇÂO DA PENA DE MORTE.
Argumentam eles que a pena de prisão perpétua é uma selvajaria, pior que a morte por execução... É a morte lenta, é uma tortura...
À medida que o tempo médio de esperança de vida aumenta, fruto da maturidade da organização social qie dispensa bons cuidados médicos e permite uma boa satisfação das necessidades primárias, a maturidade do espírito humano vai também exigindo uma maior proximidade e conhecimento da morte. De que vale uma vida longa, se não há uma "boa morte"? De que vale a velhice prolongada, se for sinónimo de senilidade, esquecimento, incapacidade e dependência indigna?
Mas além deste estudo e observação das condições que levam a uma "boa morte", ou EUTANÁSIA, também vemos outras facetas deste longo e secular diálogo com "a minha amiga morte".
Uma dessas facetas é o chamado "terrorismo", com as suas mortes ditas assassinas mas que, no reverso da medalha e do universo político, alguns chamam "martírios" - à imagem dos mártires Cristãos, vítimas do paganismo cruel do Império Romano, sucedem-se agora os mártires Islâmicos, vítimas do politeísta Império Ocidental, ou Americano.
Por carta, temos agora os presos "perpétuos" a solicitar que lhes concedam uma outra perpetuidade, mais livre ou libertadora, a pena de morte. Pedem-na como um acto de misericordia, semelhante ao abate dos animais feridos mortalmente. Ao que parece, os presos não terão a coragem, ou a insensatez, de procurar, pelos seus próprios pés, ou mãos, a boa morte - nem pelo suicídio, quanto mais pelo martírio.
Esta carta faz-nos também recordar esse excelente filme chamado: "Os cavalos também se abatem"...
Mas uma coisa é morrer, outra é matar...
Na morte por misericórdia, o acto de matar é que parece ser o mais difícil, já que o benefício pende quase exclusivamente para o lado de quem morre...
Talvez por isso, um deputado italiano já reagiu ao pedido dos presos propondo, não uma lei a repôr a pena de morte, mas uma lei a acabar com a prisão perpétua.
Não faltará quem venha dizer, um dia, que esta carta foi uma obra prima da arte de bem negociar...
Até,
ofilosofo