FURUM PHILOSOPHICUM

comentarius quotidianus

O Parque Natural ou os Trabalhadores?

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This entry was posted on Friday, July 20, 2007 2:10:00 PM and is filed under uncategorized.

Nem todas as situações saiem a contento da lógica e da coerência que nos parece óbvia...

Vejamos uma dessas circunstâncias, que parece um hino ao paradoxo...

De um lado, temos o Parque Natural da Arrábida.
 
Dizem as vozes inteligentes e peritas em ecologia que é preciso preservar a Serra da Arrábida, mantê-la na sua original naturalidade de pérola antiquíssima dos reinos mineral, vegetal e animal.

Parece uma exigência incontestável, um programa aliciante e compensador...

O desprevenido visitante começa então, partindo de Setúbal ou Sesimbra, conforme venha de Leste, ou de Oeste, a percorrer as encostas da serra, aquelas agrestes arribas sobranceiras ao mar límpido, sorvendo o ar puro e o aroma daquela vegetação bravia. E acaba por aceitar as restrições impostas em prol da conservação da Serra.

As estradas são estreitas e curvilíneas, não há hóteis, restaurantes, bom estacionamento e acesso às praias, enfim, naquela zona protegida o cidadão vê-se privado dos equipamentos que normalmente se encontram nas áreas de beleza natural e desenvolvidas para o lazer, o turismo, até para a cultura.

É um sacrifício compensado pela preservação do equilibrio ecológico da Arrábida.

No entanto, ao aproximar-se do coração do Parque Natural da Arrábida, já perto das praias viradas para a baía de Setúbal,  mais concretamente no Outão, o cidadão depara-se com um dantesco, melhor, literalmente iinfernal, cenário: o desventramento da Serra da Arrábida pela SECIL.

A SECIL escava, escava, explosivos para cima e para baixo, a cratera aumenta e cresce pelas encostas.

Pergunta o cidadão ingénuo ( assim se qualifica hoje quem ainda julga que há princípios...)
 - Não é preciso preservar a Arrábida?
 - Como é que não param com a SECIL???
 - Então não fecham a SECIL???

Mas não! Ninguém vai responder...há silêncios convenientemente esticados para cobrir, ou encobrir, os entendimentos e acordos espúrios...

Entretanto, já em Setúbal, e ainda preplexo perante aquele horrível monstro industrial que destrói uma das mais belas paisagens Portuguesas, o cidadão ingénuo encontra, ao passar numa das curvas de Setúbal,  um edifício chamado "Pavilhão Desportivo da Casa do Pessoal da SECIL".

Aaaahhhhh.... Perante este poderoso exemplo de colaboração entre Capital e Trabalho, assaz raro neste País, entrevemos uma possivel explicação do que se passa...


A situação parece ser a seguinte: O pessoal da Casa de Pessoal de PORTUGAL, beneficiário do Parque Natural da Arrábida, decidiu ceder os seus direitos ao pessoal da Casa de Pessoal da SECIL...

Porquê? Quem tomou essa decisão, e representando que interesses? Quando é que esse tema foi debatido publicamente?
 
Vale a pena perguntar? Ou estou a ser ingénuo?

ofilosofo.




 

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