FURUM PHILOSOPHICUM

comentarius quotidianus

Berlim

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This entry was posted on Tuesday, September 04, 2007 8:10:00 PM and is filed under uncategorized.

A cidade de Berlim é muito peculiar...

Antes de mais, é uma cidade que cresceu organicamente, assimilando vários agregados populacionais circundantes, mas mantendo-lhes, embora unidas na mesma identidade de capital da  Deutschland, a Grande Alemanha Unificada, as suas caracteristicas próprias e espaço zonal qualificado. 

Depois, é uma cidade que se espalha por um terreno muito plano, onde a água é abundante, não só na presença dos dois rios que banham a cidade, como na presença de muitos lagos, alguns de grandes dimensões, que esbatem o excesso de continentalidade e de afastamento do mar.

Também impressiona o visitante a enorme quantidade de parques, jardins, bosques, enfim a presença constante e intensa da vegetação e do arvoredo. Árvores grandes, bem crescidas, embora muitas com a as folhas queimadas do excesso de calor solar que começa a chegar aos países de clima temperado... 

O aproveitamento do espaço, em Berlim, é completamente diferente do aproveitamento que vemos noutras grandes cidades cosmopolitas, onde a pressão imobiliária e a concentração de população, aliadas a histórias seculares de desenvolvimento sem regras claras, determinam a escassez do espaço, o excesso de construções e a existência de muitas ruas demasiado estreitas, onde os peões rapidamente formam as multidões compactas das "horas de ponta".
 
Pois em Berlim, isso não há... A largueza dos espaços é absolutamente fenomenal... A cidade é de tal forma ampla e espalhada no terreno, que o perímetro da cidade já vai em cerca de trezentos quilómetros... Dada essa largueza e total ausência de elevações, a bicicleta é o meio de transporte ideal, e tem os seus percursos próprios na maior parte dos passeios...  Mas a bicicleta convive, em Berlim, com um majestoso metropolitano e outros transportes, nomeadamente, claro, os grandes carros Alemães.

Um detalhe surpreendente e engraçado; em Berlim, há calçadinha Lisboeta! Em pedra mais escura que o nosso calcário, é verdade, mas calçadinha, espalhada por mnuitos passeios e zonas residenciais. 

Finalmente, Berlim tem a história contermporânea mais perturbada e trágica de todas as cidades europeias do século XX. A intensidade da destruição e dos bombardeamentos da II Guerra, a divisão e ocupação pelas Potencias aliadas, o cerco pela Alemanha Oriental, a Guerra Fria, os Espiões, o Muro, a queda do Muro, a memória do Holocausto.... Os habitantes de Berlim são um grupo especial de notáveis espectadores e participantes em alguns dos mais impressionantes factos políticos de um século atribulado, que preparou o começo de uma nova era, a que actualmente chamamos a Globalização.

Berlim merece uma visita. Para um Lisboeta, como eu, o contraste é riquíssimo... Os Berlinenses sãos os menos Alemães de toda a Alemanha, porque souberam prescindir de algumas manias alemãs, mantendo as melhores virtudes germânicas...

Em Berlim, imaginem, voltei a ver o sinal amigo de "permitido estacionar no passeio", que tantas saudades faz a um Lisboeta vergado ao peso da caça à multa do Governo Sócrates e dos 700 mil funcionários públicos que se promovem aurtomaticamente e nunca podem ser despedidos...

Em Berlim prolifera o divertido comércio de rua, que os desgraçados "shoppings" arruinaram e destruiram, em Lisboa, deixando a cidade sem vida e sem peões a partir das cinco, e matando a classe dos pequenos comerciantes que, sob a égide de João da Regras, puseram em marcha, há uns séculos atrás, a mais bem sucedida solução política de uma grave crise, um sucesso que faz inveja aos políticios de hoje... Esse pequenos comerciantes eram a seiva viva de Lisboas, homens e mulheres capazes de serem patrões de si-próprios e que hoje trabalham como escravos para pagar as rendas leoninas aos donos das grandes superfícies comerciais...

Resta dizer que, em muitos aspectos, nomeadamente alimentação e habitação, Berlim é mais barata que Lisboa.

Como os nossos economistas encartados não dizem as verdades, eu adianto uma explicação para este estranho fenómeno, a todos os títulos inaceitável para um observador da nossa pobreza...

Quanto à alimentação:
 A Europa subsidiou alegremente a destruição da nossa agricultura, a que se seguiu a destruição dos mercados tradicionais que lhe estavam associados; entretanto, as grandes cadeias de hipermercados a actuar em Portugal criaram, ao longo dos anos, um "trust" que lhes permite agora, depois de uma entrada em pézinhos de lã, com preços baratos para matar o comércio local e conquistar os clientes, ir subindo progressivamente os preços, sem que o consumidor tenha, nesta fase do campeonato, qualquer forma de defesa, até porque já não há concorrência que lhes faça frente... Enriquecem os Belmiros, empobrecem os Manéis, e Lisboa - é um facto... - está mais cara que Berlim (exceptuando, como é costume, a "bica"...!)

Quanto à habitação:
- numa Lisboa onde o arrendamento está congelado para salvar 80.000 velhinhos, a especulação no preço da habitação convém a quase todos: convém ao proprietário do terreno, ao construtor, à Câmara que cobra licenças e IMT e, ainda  ... aos bancos, que encontram no empréstimo à compra de Habitação uma das suas maiores fontes de negócio, e têm metade da população endividada durante os próximos trinta anos, a pagar casas avaliadas muito acima do valor determinado pelo seu custo real de construção...

Mas, valha-nos isso, nós podemos todos emigrar para Berlim, porque estamos na Europa. Podemos deixar este cantinho encantado até que:
 - os nossos capitalistas, empresários e banqueiros ganhem juízo e percebam que não se pode matar a galinha dos ovos de ouro, ou seja, o consumidor comum, com margens de lucro descomunais,
 
- e os nossos políticos de esquerda percebam que 21% de IVA é uma bestialidade, para quem ainda tem de pagar IRS, IA, Imposto de circulação, IMI, IMT, Imposto de Selo, Segurança Social, livros e manuais escolares,  imposto sobre o tabaco, imposto sobre os combustíveis, imposto de capitais, imnposto de mais-valias, as multas, as coimas, a classe II das portagens e a "Justiça", que não funciona, mas cobra ( paguei largas centenas de euros por umas acções, e estou há um ano à espera do julgamento - que pouca vergonha, cobrar e não fazer nada) ...

Para alegrar: que tal um Porsche Carrera baratinho???  

ofilosofo berlinense
 

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