Os senhores professores e a Língua Pátria
This entry was posted on Monday, December 31, 2007 6:42:00 PM and is filed under uncategorized.
Escrever para a quinta página do Expresso Economia não é para todos...
Espera-se algum critério de qualidade e exigência na escolha dos que fazem os pequenos artigos de meia dúzia de parágrafos, encimados por artigo mais abrangente do director Nicolau Santos, que dá à coluna o nome de cem por cento.
Não sou leitor assíduo de nenhum jornal português, mas leio os que me vão chegando à mão.
Sou leitor assíduo de livros em língua inglesa, que compro na Net.
Nada tenho, portanto, contra essa língua, de que, aliás, faço traduções, nem nada tenho contra a enorme vaga de conhecimentos e entretenimentos com que a cultura americana nos presenteia diáriamente. Julgo até que estou bem informado, através das leituras que acima mencionei e das pesquisas constantes que faço, desde há largos anos, na Net, das linhas mestras mais avançadas dessa cultura em algumas temáticas que me interessam particularmente, como a Filosofia. Fui também um especialista de informática, tendo introduzido produtos inovadores em Portugal.
Dito isto, penso que fica claro que não tenho qualquer preconceito a justificar a crítica que aqui deixo lavrada ao artigo de um senhor professor da Universidade de Aveiro, que assina um desses artigos da quinta página do Expresso Economia. Li o artigo por acaso, mas fiquei preocupado com o que vi...
Supõe-se que qualquer professor universitário de um qualquer País tem a responsabilidade de contribuir para a Cultura desse País e, como sabem todos os Portugueses que não desconhecem a obra de Fernando Pessoa, quem não cultivar a Língua Portuguesa está a amortecer ou enfraquecer o veio autónomo e diferenciado da nossa Cultura. Este senhor professor Universitário, como aliás qualquer outro, independentemente da máteria ou disciplina em que se especializem, tem o DEVER de saber escrever em Português.
Sabemos que muitas palavras inglesas se intrometem no nosso vocabulário, quer por via popular do seu uso corrente, quer pela via erudita do seu uso em discursos especializados. Sabemos que os professores Universitários têm de ser, e parecer, sabedores de todas as mais recentes descobertas e novidades do mercado científico, de que são promotores e participantes.
O que não posso aceitar é que, num pequeno artigo de quatro parágrafos, o professor universitário, e catedrático, que rerferi acima escreva nada mais, nada menos, que quatro termos ou expressões em INGLÊS...
Mais ainda, o artigo fala de ideias e de inovação, tema que em muito depende da lingua falada e escrita e em nada exige, ao contrário de outros temas de cariz mais técnico e restrito que podem necessitar de termos exclusivos e pouco divulgados, que se utilize o linguajar que, em inglês, se chamava o "jargon".
O senhor professor entenderá que a aplicação dos termos inglese lhe dá um ar mais sabedor?
Ou o senhor professor não sabe como traduzir na Lingua Pátria ( a tal que deveria, por compromisso de honra adveniente da sua condição de professor universitário, defender) as expressões inglesas que utilizou?
Vejamos as expressões utilizadas:
- "bottom up"
- "feed-back"
- "spill over"
- "out of the box"
Que têm estas expressões de tão especial que não possam ser substituídas por palavras protuguesas com sentido idêntico? E não aconselharia a boa educação e o bom senso que, a manterem-se estes anglicismos para deleite dos especialistas e dos pacóvios que medem o saber por este tipo de truques, se fizessem notas de rodapé a traduzir as expressões??? Onde anda o critério redactorial do Expresso, quanto às regras da boa educação para com os seus leitores e quanto à defesa da Lingua que permite a existência desse Jornal???
Notas:
- bottom-up , das bases ao topo, ascensional
- feed-back, retorno, comentário, avaliação consequente
- spill over, difusão, distribuição, extrapolação
- out of box, inusitado, fora dos limites, inovador
Se alguém se der ao trabalho de reler este artigo com as expressões portuguesas, verá que nada perdeu do sentido original, a não ser o seu provincianismo disfarçado de proficiência.
ofilosofo