Talvez é a minha palavra favorita. Abre todas as portas e não nos deixa Presos à palavra dita.
Serei cobarde, ou só medroso, ou só?
Estar só mete medo?
Não, estar só é um deleite, manhã bem cedo, Mas já à noite ... Faz dó.
Condenados à solidão? Estamos todos! Densos, brutos, Mesmo se redondos não conseguimos Unir a nossa alma aos outros, tontos.
Talvez.
Talvez, aqui, talvez seja esperança... Não traz alguma diferença ao "sempre só"? Para sempre, a solidão? Para sempre, ou talvez não.
Vês?
Tal vês? Quem sabe se ainda aprendemos E fraquejamos na nossa estupidez?
João Seabra Botelho 6 de Dezembro de 2008
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Questões doutrinárias
Desde que Marx se lembrou de inventar a Economia Política que é uma confusão danada entre o que são doutrinas políticas e o que são doutrinas económicas.
Ou talvez Marx seja apenas o reflexo de a economia ser tão importante na nossa sociedade urbana, cosmopolita e crescentemente populosa, que não seja hoje possível deixar de falar constantemente de dinheiro, de como ganhar dinheiro, de como gastar dinheiro, enfim, de como sobreviver. A economia parece hoje, de facto, ser a principal responsável pela sobrevivência, destronando o poder militar e religioso e condicionando o poder político.
A política, que é o Direito aplicado e se desenvolve segundo o princípio da Justiça, cedeu a primazia quotidiana à economia, cujo princípio é a prosperidade, e cedeu a primazia porque, hoje, a primeira preocupação é a riqueza. Em segunda linha, para os momentos especiais - a eleição, o discurso parlamentar ou o conflito entre países ou blocos, lá vem a política. Quanto ao poder militar, apesar de continuar a ser visto como o "tira teimas", o último recurso de afirmação de poder, acaba também vergado ao poder económico - só há militares, se houver dinheiro. E fazer a guerra custa muito caro... Por isso, temos hoje Estados com menos poder bélico que certas "entidades" com o enorme poder financeiro oriundo da droga, do negócio das armas, etc...
Nos equivocos gerados pela luta entre o domínio da Economia e o domínio da Político anda atolado o Liberalismo. Enquanto doutrina política, o Liberalismo afirma a primazia do cidadão, o indivíduo livre e em plena posse dos seus direitos, sobre o poder do Estado. O Estado serve o Cidadão, não o contrário. Este é o sentido claro do liberalismo, evidente em momentos cruciais da História. À medida que "Estado" e "Cidadão" foram crescendo - e se foram confrontando - vê-se o espírito liberal presente em Atenas, e ausente em Esparta, vê-se a sustentar a Roma Republicana e a cair, derrotado, perante a Roma Imperial; vê-se o espírito liberal crescer nas cidades autónomas de Itália ou da Alemanha, na Reforma, no Novo Mundo; vê-se finalmente ratificado em documentos com força de Lei como o Habeas Corpus, a Magna Carta, as Constituições que terminaram com os Absolutismos.
É também o liberalismo que sustenta o conceito de "democracia", ou de "república" na sua vertente de liberdades e direitos humanos, e é o motor das instituições planetárias, como a ONU, quando pugnam pelos "direitos humanos". Na sua esfera de influência, o liberalismo inspirou doutrinas e categorias económicas assentes na liberdade e iniciativa do Cidadão, como o "laissez-faire, laissez-passer" - ou seja, o comércio livre e não proteccionista - ou a "economia de mercado".
Mas a relação do Liberalismo com a Economia tem trazido muitas agruras à defesa da liberdade do Cidadão, porque o liberalismo é entalado entre os dois extremos contrapolares da doutrina económica - o capitalismo e o socialismo-comunismo - e serve, muitas vezes, de bombo da festa para ambos os lados...
Usual ( e oportunista) amigo do liberalismo é o capitalismo; mas sendo o capitalismo uma doutrina eminentemente económica, e só política por arrasto, contamina e prejudica o liberalismo político ao puxá-lo, muitas vezes de forma hipócrita, para a arena das discussóes de doutrina económica... O capitalismo tem a virtude de ter desenvolvido, na teoria e na prática, categorias económicas fundamentais, como a de investimento, de iniciativa, de propriedade, de capital, de crédito, mas sofre a doença da ganância. Essa doença, que Marx teorizou como sendo o inevitável movimento de acumulação capitalista, é que acaba impondo, a qualquer custo, a categoria do lucro sobre a categoria da boa gestáo. Exagerando o lucro, ou a acumulação de riqueza, o capitalista vai tentar promover a plutocracia, isto é, uma sociedade sujeita ao poder dos mais ricos, que garanta a estes, à custa dos outros, que não só mantém a sua riqueza, como a aumenta.
Em suma, o capitalista já endinheirado e que não respeite os princípios liberais vai tentar todo o tipo de truques para manter a segurança - segurança na posse e no aumento da sua riqueza. Sendo a grande virtude do capitalismo, como se disse atrás, o ter sabido enfrentar e gerir o risco, mantendo um fluxo permanente de investimento em novos projectos, fica evidente que o capitalismo é auto-corruptível porque todo o capitalista, uma vez rico, tende a degradar-se num potencial amante da segurança e num inimigo do risco.
Economistas liberais tentaram corrigir os excessos do capitalismo com categorias como a concorrência, a competitividade, o empreendedorismo; o liberal tenta lembrar ao capitalista que não há riqueza que compense a perda da liberdade... Mas o capital é incansável na sua tendência de acumulação e o liberalismo não tem por apanágio ser bom polícia, antes preconiza o auto-controlo...
O grande inimigo do liberalismo, doutrináriamente o seu contrário, é o estatismo, que modernamente foi assumido pelo socialismo e, sobretudo, pelo "comunismo" e sua "ditadura do proletariado"; estas doutrinas propõem a primazia do Estado sobre o Cidadão, do Colectivo sobre o Privado, do Social sobre o Individual, embora o Socialismo tenha tentado associar-se à democracia, através da social-democracia. Se a social-democracia pode, ou não, conciliar o melhor das doutrinas polítcas actuais - a liberdade e a solidariedade - é o que vamos ver no futuro...
UMA NOVA CRISE CAPITALISTA, OU LIBERAL?
Quando o capitalismo, usando a liberdade de movimentos que lhe é garantida pela generosidade épica do liberalismo consagrado em Constituições como a dos Estados Unidos da América, se auto destrói, como agora aconteceu, há que perceber que estas crises são cíclicas pela razão acima apresentada.
Cíclicamente, e em virtude da força contagiante e degradante da ganância, acontecem as crises do capitalismo. Veja-se, por exemplo, a história da crise do Pânico de 1792, com o famigerado especulador William Duer..., que nada fica a dever à "crise do subprime", em termos de exemplaridade da ganância especuladora.
Não espanta, agora, ver certas vozes dizerem que é o liberalismo ( ou o chamado neo-liberalismo) o culpado da crise, e não o capitalismo. São as vozes socialistas e comunistas que pretendem aproveitar a oportunidade para vingarem a enorme derrota dos "estatismos" que caíram com o Muro de Berlim.
Não façamos, porém, confusões! A ganância dos capitalistas de Wall Street e de todo o Mundo - de todos aqueles que entregaram o seu dinheiro aos Bancos de Investimento responsáveis pela invenção e venda dos créditos tóxicos - não é fruto do Liberalismo... Pelo contrário, primeiro houve uma violação das regras da boa gestão capitalista (ausência de um adequado cálculo de risco de crédito, motivado, aliás. pelas instruções de Bil Clinton para que os Bancos facilitassem o crédito a famílias de menores recursos...)! Foi mais um bom exemplo da supremacia da ganância.
Depois, o Liberal não tem nenhuma dificuldade em aceitar regras para o bom funcionamento dos mercados e para a transparência das transacções.
O que aconteceu foi um atropelo das boas regras do mercado ( que tem sempre subjacente uma noção de "transparência" e "justa medida", indispensáveis à concretização do ideal liberal das transacções acertadas livremente entre individuos capazes de defender o seu interesse) que permitiu o abuso especulativo.
Mas os inimigos da liberdade, os dependentes do Estado, não perderão esta oportunidade de se vingarem, e de proporem novas medidas de intervenção Estatal.
Atrás das vozes mais exaltadas, todas as clientelas do Estado aguardam, esfaimadas. Só em Portugal, já foi nacionalizado um Banco, banco ao qual o Estado tinha tirado, um mês antes, 300 milhões de um depósito!!! Cheira a esturro, não é?
ofilosofo
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Apenas um pequeno epílogo: de facto, a nomeação de S.Ferreira e Vargas para o BCP não tinha a dignidade nem o alcance de uma estratégia de socialização do maior banco privado.
Sosseguem!
Era apenas mais um pequeno escândalo... Tudo mais ou menos na mesma, na republica das bananas. ofilosofo |
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A confusão?
Ou a inovação, tão badalada e banalizada? O que pode pensar um Cidadâo àcerca do Partido que se clama Socialista, quando este promove a banqueiros os seus militantes e, mais ainda, os lança no mercado muito apetecível dos empregos na banca "privada"????
Ora.... Só pode ser: os Socialistas da Nacionalização da Banca resolveram recuperar a Banca Privada!!! Talvez seja a altura certa para uma nova redistribuição da riqueza? O primeiro passo será retirarem-se alguns dos mais chorudos ordenados da mão de alguns dos mais ferozes Capitalistas da nossa praça, e passam-se esses milhões para a mão de militantes Socialistas, que pagam todos os Impostos e ainda a quota do Partido.
Está bem visto...
O passo seguinte será: o maior banco privado inicia a mesma estratégia bancária do maior banco governamental, uma vez que passa a ter como presidente o ex-presidente dessa instituição...
Põe-se, assim, o BCP a geito... e zás! Culmina tudo na fusão do BCP na Caixa!
Esta é que é a estratégia, meus senhores. Brilhante...
Só esta estratégia brilhante de criar o maior conglomerado bancário nacionalizado, na Europa do "mercado", recriando a "Economia Mista" tão saudosa a socialistas como Vitalino Canas, é que poderá justificar aquilo a que assistimos e que, de outra forma, seria um ultraje e um escândalo - a passagem, com o beneplácito governamental, da administração de um Banco para o seu maior "concorrente", sem nojo, luto, incompatibilidades ou rigores do Banco de Portugal, sem coimas e execuções pelo Ministério da Finanças, sem pareceres da Autoridade para a Concorrência ou da ASAI (esta, para garantir a higiene da operação...).
Só esta estratégia brilhante justificará vermos Vara passar do escandâlo da Prevenção Rodoviária para Banqueiro acima de qualquer suspeita. Extraordinária reviravolta...
Mas temos de agradecer a Vara a sua disponibilidade para ter largado o pequeno jogo do tráfico de influências e dos sacos azuis do Estado, a que se dedicava enquanto devotado militante socialista de base, ao aceitar a nomeação para entrar nos meandros complexos da administração da Banca Pública, disponibilidade que agora volta a demonstrar, e nós a agradecer, para se arrimar à gestão dos avantajados milhões das off-shores privadas!!! Todos sabemos que ele não irá acabar com a sua própria off-shore, à Goes Ferreira, nem com a sua contita na Suíssa, à Isaltino.
Não... Ele está ali em missão: redistribuir a riqueza, trazer de volta ao Erário Popular as riquezas indevidas dos tristes tolos capitalistas avarentos e abusadores da nossa praça, que nos seus secretos gabinetes trocam milhões e amantes em total despudor pela decência neste País.
Entendida agora, com algum esforço, esta situação circense que se desenvolvia à minha volta, finalmente esclarecido quanto às altas estratégias e ambições dos iluminados políticos e banqueiros deste Pais, retomo então a minha pacata insignificância de Cidadão, que, num Estado Socialista como o nosso, deve aguardar reverente as benesses deste Estado Generoso, que filhos dilectos tem para o servirem.
ofilosofo
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Escrever para a quinta página do Expresso Economia não é para todos...
Espera-se algum critério de qualidade e exigência na escolha dos que fazem os pequenos artigos de meia dúzia de parágrafos, encimados por artigo mais abrangente do director Nicolau Santos, que dá à coluna o nome de cem por cento.
Não sou leitor assíduo de nenhum jornal português, mas leio os que me vão chegando à mão.
Sou leitor assíduo de livros em língua inglesa, que compro na Net. Nada tenho, portanto, contra essa língua, de que, aliás, faço traduções, nem nada tenho contra a enorme vaga de conhecimentos e entretenimentos com que a cultura americana nos presenteia diáriamente. Julgo até que estou bem informado, através das leituras que acima mencionei e das pesquisas constantes que faço, desde há largos anos, na Net, das linhas mestras mais avançadas dessa cultura em algumas temáticas que me interessam particularmente, como a Filosofia. Fui também um especialista de informática, tendo introduzido produtos inovadores em Portugal.
Dito isto, penso que fica claro que não tenho qualquer preconceito a justificar a crítica que aqui deixo lavrada ao artigo de um senhor professor da Universidade de Aveiro, que assina um desses artigos da quinta página do Expresso Economia. Li o artigo por acaso, mas fiquei preocupado com o que vi...
Supõe-se que qualquer professor universitário de um qualquer País tem a responsabilidade de contribuir para a Cultura desse País e, como sabem todos os Portugueses que não desconhecem a obra de Fernando Pessoa, quem não cultivar a Língua Portuguesa está a amortecer ou enfraquecer o veio autónomo e diferenciado da nossa Cultura. Este senhor professor Universitário, como aliás qualquer outro, independentemente da máteria ou disciplina em que se especializem, tem o DEVER de saber escrever em Português.
Sabemos que muitas palavras inglesas se intrometem no nosso vocabulário, quer por via popular do seu uso corrente, quer pela via erudita do seu uso em discursos especializados. Sabemos que os professores Universitários têm de ser, e parecer, sabedores de todas as mais recentes descobertas e novidades do mercado científico, de que são promotores e participantes.
O que não posso aceitar é que, num pequeno artigo de quatro parágrafos, o professor universitário, e catedrático, que rerferi acima escreva nada mais, nada menos, que quatro termos ou expressões em INGLÊS...
Mais ainda, o artigo fala de ideias e de inovação, tema que em muito depende da lingua falada e escrita e em nada exige, ao contrário de outros temas de cariz mais técnico e restrito que podem necessitar de termos exclusivos e pouco divulgados, que se utilize o linguajar que, em inglês, se chamava o "jargon".
O senhor professor entenderá que a aplicação dos termos inglese lhe dá um ar mais sabedor?
Ou o senhor professor não sabe como traduzir na Lingua Pátria ( a tal que deveria, por compromisso de honra adveniente da sua condição de professor universitário, defender) as expressões inglesas que utilizou?
Vejamos as expressões utilizadas: - "bottom up" - "feed-back" - "spill over" - "out of the box"
Que têm estas expressões de tão especial que não possam ser substituídas por palavras protuguesas com sentido idêntico? E não aconselharia a boa educação e o bom senso que, a manterem-se estes anglicismos para deleite dos especialistas e dos pacóvios que medem o saber por este tipo de truques, se fizessem notas de rodapé a traduzir as expressões??? Onde anda o critério redactorial do Expresso, quanto às regras da boa educação para com os seus leitores e quanto à defesa da Lingua que permite a existência desse Jornal???
Notas: - bottom-up , das bases ao topo, ascensional - feed-back, retorno, comentário, avaliação consequente - spill over, difusão, distribuição, extrapolação - out of box, inusitado, fora dos limites, inovador
Se alguém se der ao trabalho de reler este artigo com as expressões portuguesas, verá que nada perdeu do sentido original, a não ser o seu provincianismo disfarçado de proficiência.
ofilosofo
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Aprovada a lei de responsabilização forense do Estado
Finalmente, e ultrapassadas as preocupações economicistas de Cavaco Silva, vai ser promulgada a lei que permitirá aos Cidadãos processarem o Estado pelo dolo causado por este no exercício negligente, incompetente ou até malicioso das suas funções.
Depois de décadas de pesado e excessivo estatismo, quer de Direita, quer de Esquerda, em nome do Império, ou em nome do Socialismo, da Nação ou do Povo, não é preciso ser-se vidente para constatar que existem inúmeras situações de verdadeiro conflito de interesses entre o Cidadão e o Estado.
Juristas (porque Cidadãos comuns dificilmente podem conhecer com algum rigor o número excessivo de leis vigentes...) saberão explicar, caso a caso, onde se verifica esta atitude cada vez mais agressiva e intimidante da legislação face ao individuo, onde se vê a intromissão, a prepotência e a coacção de um Estado parasitado por centenas de milhares de "clientes" ( funcionários, consultores, fornecedores, políticos...), todos eles a mamar... nos utentes, nos contribuintes, em suma, no Cidadão.
Sempre em nome de um abstracto "colectivo" ou "geral", inteligências duvidosas gastam horas infindas a pensar como orientar a vida dos outros... É a primazia da filosofia voluntarista, que importámos da Europa, com a suposta superioridade do "dever ser" sobre o "ser".
Se puséssemos isto em termos futebolísticos - a última linguagem tribal disponível e que escapa aos estrangeirados e suas censuras organizadas - diríamos que querem pôr a selecção dos "craques" (sejam os portugueses, sejam os latino-americanos...) a jogar como as selecções "máquinas", tipo Inglaterra, Alemanha e restantes nórdicos altos e loiros, todos bons rapazes, admitamos sem reservas, mas totalmente incapazes de fazer uma "vírgula" ou até uma "cueca"...
Noutros termos; o excesso de leis que grassa no nosso País será a imagem jurídica das tácticas excessivamente mecanizadas e colectivas dessas equipas, será a evidente desconfiança e medo perante os "artistas", será o coertar da liberdade de jogar dos grandes craques, aqueles que, num instante de jogo, salvam e redimem todos os minutos e horas de futebol maçudo, mecanizado, de muita força e pouca arte!!!
Mas agora, com esta lei, o Cidadão pode começar a recuperar algum do respeito que o Estado lhe deve...
Certamente que não é remédio perfeito... Esta lei terá de ser aplicada pelo próprio Estado, e a lentidão exasperante da Justiça servirá, com a conivência de Juízes ávidos de reformas pagas pelo Estado, para mandar para as calendas quaisquer processos de indemnização séria a que o Estado seja chamado a responder... Se nos lembrarmos de alguns casos paradigmáticos e escandalosos, como o drama do AquaParque, que levou anos a resolver e foi resolvido às escondidas, não em sessão pública de tribunal, mas no recato de gabinetes onde se mantiveram secretos, para não aguçar apetites, os valores das indemnizações atribuídas...
Seja como fôr, porém, esta lei e a sua aprovação diz-nos que, perdidos e espalhados algures por diversos partidos, ainda se encontram presentes alguns princípios liberais ou libertários, que souberam resistir ao Estatismo de Direita e de Esquerda e marcaram pontos na defesa dos direitos do Cidadão perante a usura estatal.
Seja com argumentos fiscais e de "resdistribuição dos rendimentos", seja com argumentos de "disciplinarização do mercado", seja com argumentos de "garantia da segurança", seja com argumentos de "igualdade de oportunidades", seja com argumentos de "responsabilidade e solidariedade social", ou outros quaisquer do género e concorrendo para a mesma finalidade, o que é facto é que, gradualmente, desenvolveu-se um "polvo" legal e administrativo, fiscal e policial, que não se preocupa em assegurar as condições de o Cidadão exercer, tão amplamente quanto possível, a sua Liberdade e procurar tão activamente quanto possível a sua Felicidade, antes lhe pretende dizer e impôr o que é e deve ser a sua vida, a vida de cada Cidadão.
Ao virar de cada esquina há um controlo de radar, um formulário a preencher, uma multa a pagar, uma proibição a respeitar, um abuso a engolir, um atraso a aturar, uma licença a pedir, um certificado a solicitar, uma certidão a pagar, um mendigo a esmolar, um polícia a mandar, um professor a desistir, um reformado a reformar, um nascimento a evitar, um subsídio a requerer, um juiz a executar, um ministro a perorar.
Do justicialista assanhado, tipo Maria José Morgado (dá a sensação de ser a única cidadã portuguesa acima de qualquer suspeita...), ao fiscalista assanhado, tipo Saldanha Sanches (por sinal, o marido da dita senhora...), passando pelo "pregador-mor" Francisco Louçã - meu Deus, que energia a deste homem para fazer aquilo que os ingleses chamam o "ranting" - estes e todos os que se lhes assemelham, todos eles se deleitam a debitar soluções para os outros... Têm sucesso, não por gerirem bem os seus próprios interesses - situação transparente que todo o Cidadão pratica para si-próprio e entende nos outros - mas porque se apresentam como especialistas em gerir o interesse dos outros...
Mas... pasme-se!!! Nada funciona como é prometido, saltamos de crise em crise, de deficit em deficit, de derrapagem em derrapagem, de corrupção em corrupção, se incompetência em incompetência, de abuso em abuso, de coação em coação, e nunca mais chegamos às maravilhas que cada uma dessas ilustres iluminárias nos propôs no início da sua discursata.
É muito triste verificar que essas inteligências vulgares se arrogam da superior capacidade de arcontes, visionários da politeia que vêem o que o cidadão não vê, sabem o que os outros não sabem, e assim se julgam capacitados para dar às suas pobres conjecturas a força de Lei.
Então, Senhores e Senhoras que vivem do Estado, pelo Estado e para o Estado, sugiro:
- Vão para casa descansar.... que é para ver se o resto do pessoal tem algum descanso também; não se preocupem, que o povinho ignorante há novecentos anos que se aguenta...
Sugiro ainda:
- Vão apanhar um pouco de sol... há imensas coisas que se podem fazer neste País que não afectam o Ambiente, que não aumentam o Deficit e não comprometem a Solidariedade com os pobres - como beber uma imperial, plantar umas couves, correr na areia do Guincho, trabalhar um bocado na AutoEuropa de Palmela, ir namorar para o Jardim da Estrela, ver um filme na Cinemateca, apanhar o Cacilheiro e tocar viola no Irish Pub.
Divirtam-se. Não chateiem tanto a gente, por favor.
Agradecido. (E cuidado, que agora passa a ser a doer.... As indemnizações ao Cidadão, claro...)
Ofilosofo
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PARTE II - UMA NO CRAVO, OUTRA NA MAGISTRATURA , ou Um veto certo, um veto errado...  Em análise estão duas recentes intervenções de Cavaco Silva na sua função de guardador da constitucionalidade das leis exaradas no Parlamento. Primeiro, falemos daquela lei que pretendia impor aos Cidadãos a devasssa das suas contas bancárias pelo Fisco, como consequência imediata de o Cidadão interpôr uma Reclamação contra uma decisão fiscal. Cavaco Silva entendeu por bem remeter a Lei ao Tribunal COnstitucional, e este chumbou a Lei. O que Cavaco Silva não gostou, foi de ver a boca esformeada do Estado avançando sobre as contas bancárias do Cidadão de uma forma revanchista e intimidatória. Uma das bases sagradas do Direito Democrático é a presunção de inocência, que evita a ultilização da Lei como processo de o Estado coagir abusivamente os cidadãos, sem estes terem o direito à defesa e ao contraditório devidamente assegurados. O democrata liberal Cavaco Silva ajudou a corrigir a mão deste Estado Providência envelhecido e sequioso de impostos para assegurar salários e reformas. Falemos agora do segundo caso: este refere-se a uma Lei do Parlamento que garantia aos cidadãos o direito de litigar para exigir uma indemnização ao Estado Português, quando este lhes causa um dano ao exercer incorrectamente as suas funções e o seu Poder. Cavaco Silva resolve intervir contra a Lei, chamando a atenção que a sua aplicação iria custar excessivamente ao Estado Português. Ora, por muito que a competência técnica do economista Cavaco Silva lhe permita fazer cálculos e obter resultados e certezas que outros políticos menos preparados economicamente não alcançam ou não percebem, por muita certeza que tivesse que o pagamento das indemnizações levaria o Estado à bancarrota, o Presidente não pode dar semelhante facada na Justiça, dizendo que uma Lei justa deve ser adiada por falta de dinheiro... É o que se chama, nestes dois casos que agora assinalámos, dar uma no cravo... outra na magistratura. Senhor Presidente, não se pode sobrepôr a Economia à Justiça, sem que daí resultem gravíssimas consequências.... Ou será que, subrepticiamente, o Marxismo também contaminou Cavaco Silva??? o filosofo |
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I - CAVACO DÁ LIÇÃO A SOARES  O Presidente Cavaco Silva continua paulatinamente a cumprir um dos principais objectivos da sua presidência. O objectivo a que me refiro, e que ele nunca anunciou, ou anunciaria, mas que para mim é óbvio, é o objectivo de dar<uma lição a Mário Soares.... Como? Mostrando a todos a diferença entre a sua atitude de apoio institucionalmente leal ao Governo Eleito e a atitude do próprio Soares, sobretudo no seu segundo mandato, de oposição activa ao Governo de então, aquele que foi o último governo de Cavaco Silva. Tendo sofrido na pele a acção dessa "força de bloqueio", tendo visto Mário Soares, na sua permanente apetência pela peleja política e pelo exercício do Poder, incapaz de resistir a transformar a sua Presidência da Republica na sede oculta da Oposição, Cavaco Silva aproveita agora para dar uma estalada de luva branca a Mário Soares. Culmina, assim, uma época infeliz para este político, época que começou quando teve a ideia de se candidatar novamente à Presidência, sujeitando-se a uma estrondosa derrota e arrastando consigo o PS. Soares, aliás, deve agradecer a Manuel Alegre, com o seu honroso segundo lugar, o ter disfarçado a derrota do aparelho partidário do PS, refém dos favores que devia a Soares, e ainda o ter afastado da ribalta a infelicíssima tese Soarista (e esquerdista, porque, quando é preciso, o burguesíssimo Soares é esquerdista...) de que Cavaco Silva trazia atrás de si os papões antidemocratas... Por momentos, parecia que Cunhal tinha reencarnado em Soares e este usava a velha táctica Alvarina de antecipar a doença para impor a cura! Quem não se lembra do período pos 25 de Abril em que tal táctica de antecipação resultou na perfeição? Houve várias situações destas... lembremos duas ou três, como o 28 de Setembro, o 11 de Março, o Golpe de Luanda, em que, para evitar ou repelir um ataque da perigosíssima Reacção - ataque, entenda-se, inexistente ou quase... - as forças comunistas davam mais um passo em frente na Revolução??? Mário Soares, portanto, tentou, nessa candidatura presidencial, reagrupar e estimular a luta das forças de esquerda apontando Cavaco como um homem de perfil supostamente autoritário e reaccionário... Que falhanço rotundo... Paulatinamente, portanto, Cavaco continua a demonstrar no quotidiano da sua Presidência que é mais "homem do povo" que Soares alguma vez foi, e que é um social-democrata, ou não fosse ele um Keynesiano que admira a intervenção reguladora de um Estado sábio e forte, que mantém a sociedade coesa e a economia em boa saúde. Esta dimensão economicista de Cavaco é, de facto, social-democrata. Mário Soares, que é Republicano, laico e Socialista, vê-se em palpos de aranha para conjugar a defesa Republicana dos direitos individuais - que se chama liberalismo, na tradição inglesa do termo - com o Estatismo Socialista, sabendo-se, pela História, que veio dos excessos do Poder do Estado, desde sempre, e fosse qual fosse o regime, o grande perigo e restrição ao exercício dos Direitos do Cidadão. Ora, Cavaco não vive esse drama. As teses keynesianas em que se formou como economista permitem-lhe ter uma visão realista e pragmática da intervenção reguladora do Estado, mas em permanente compromisso com as bases indispensáveis do "sistema capitalista" e da "economia de mercado". Ao contrário de Mário Soares, Cavaco nunca foi do PC, nem militou num partido que decretou as Nacionalizações, nem nunca se viu forçado a pôr o "Socialismo na gaveta". Em compensação, vem de família modesta e sem pergaminhos políticos, quer de Direita, quer de Esquerda. Não admira, portanto, que receba votos de vários quadrantes políticos que aderem a esta ou aquela faceta da sua história pessoal e personalidade. Enquanto homem disciplinado e cumpridor, que subiu a pulso na vida, Cavaco é um defensor do Estado de Direito e dos Direitos e Deveres do Cidadão, ou seja, é um Conservador pelo respeito à Lei e um Liberal pelo respeito à Cidadania. Enquanto economista keynesiano, é um defensor da intervenção keynesiana do Estado regulador na economia de mercado, ou seja, é um Social-Democrata. Ora Mário Soares decidiu crispar o quotidiano político do seu último mandato, não resistindo a minar, com acusações de "Direitismo" - isto é, de excessos de disciplina e autoridade do Cavaquismo - o governo em funções, numa clara falta de lealdade institucional e constitucional. Dessa estratégia de deslealdade para com o Governo veio a resultar o fim do governo Cavaquista. O PS ficou agradecido, e refém, de Mário Soares.... A derrota social-democrata e o retorno do PS ao Governo, embora sob a liderança de Guterrres, socialista pouco simpático a Soares e à sua costela laica e republicana, geraram um período que deveria ter correspondido ao definitivo adeus de Soares à Política Activa... Em vez disso, porém, resolveu cobrar o favor que o PS lhe devia, impondo-se como candidato à Presidência.... Tendo já tido o prazer e a honra de derrotar o primeiro-ministro Cavaco, não resistiu à tentação de o derrotar segunda vez.... Afinal, pensava ele, tratava-se de repetir duas receitas já usadas antes com sucesso - reavivar a dicotomia Direita - Esquerda que já lhe dera a vitória nas Presidenciais contra Freitas do Amaral e repôr o perfil mauzão e autoritário de Cavaco Silva, que lhe permitira forçar o termo da carreira do então primeiro-ministro. Depois, contava com o déja-vue.... Segunda volta, votos de toda a esquerda, incluindo o PC, etc... Mas Cavaco ganhou à primeira volta. Todos os Portugueses perceberam (e Soares terá percebido?) que Cavaco deu uma primeira lição a Soares sobre o seu verdadeiro perfil perante o Povo Português.
E a lição vai continuar... Cavaco irá respeitar os limites do Poder Presidencial e a lealdade institucional com o Governo em Funções, a bem de Portugal, de uma forma que envergonhará o Soares do segundo mandato presidencial e da infeliz e serôdia candidatura à Presidência.
Iremos ainda ver, até ao final da presidência de Cavaco, se este dará também uma lição que envergonhará o Jorge Sampaio da demissão de Santana Lopes... é que essa decisão teve graves consequências perniciosas: - trouxe o partidarismo ao topo do exercicio do Poder do Estado, o que é mau... o PS foi objectivamente favorecido pelo Presidente ... Socialista. - denegriu a imagem e o crédito do Parlamento, menorizado perante um Poder Presidencial que desmantelou uma maioria estável e Parlamentarmente legítima para apoiar um Governo. - criou o precedente de um Presidente que anunciou "oficialmente" ao Primeir-Ministro em funções que o iria vigiar de perto. Assim, anunciou que iria exercer, ou seja, usurpar, a mais relevante função do Parlamento - a função de vigiar, criticar e demitir governos com menções de censura.
Cavaco tem condições, agora, para fechar a sua carreira política com chave de ouro, ao mostrar à evidência duas coisas: 1 - quão totalmente fictício era o perigo "direitista" que impedia candidatos "da Direita" de serem eleitos para a mais alta magistratura da Nação. Esse folclore esquerdizante cairá por terra quando o homem que foi acusado pelo Pai da Democracia, Soares, de suspeito antidemocrata se comportar como um verdadeiro defensor do Estado de Direito e da legalidade democrática. 2 - que a Presidência da República ganha em não ter homens excessivamente partidários, que tendem a favorecer, mais cedo ou mais tarde, os seus partidos, como aconteceu com Soares e Sampaio, enfraquecendo e descridibilizando a actividade Parlamentar que gera os Governos. Cavaco, que cultivou sempre um perfil de não subserviência à doutrina partidária e de desconforto perante o jogo político dos interesses dos grupos de pressão, nada fará para beneficiar o PSD ou prejudicar o PS nessa área do poder político em que deve ser o Parlamento a pronunciar-se.
Mas antes de terminar a sua Presidência, Cavaco ainda vai ter de tomar muitas decisões, nomeadamente sobre a legislação produzida pelo Parlamento. Aí, pode acertar ou cometer erros avulsos. É o tema da parte II.
ofilosofo
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A cidade de Berlim é muito peculiar...
Antes de mais, é uma cidade que cresceu organicamente, assimilando vários agregados populacionais circundantes, mas mantendo-lhes, embora unidas na mesma identidade de capital da Deutschland, a Grande Alemanha Unificada, as suas caracteristicas próprias e espaço zonal qualificado.
Depois, é uma cidade que se espalha por um terreno muito plano, onde a água é abundante, não só na presença dos dois rios que banham a cidade, como na presença de muitos lagos, alguns de grandes dimensões, que esbatem o excesso de continentalidade e de afastamento do mar.
Também impressiona o visitante a enorme quantidade de parques, jardins, bosques, enfim a presença constante e intensa da vegetação e do arvoredo. Árvores grandes, bem crescidas, embora muitas com a as folhas queimadas do excesso de calor solar que começa a chegar aos países de clima temperado...
O aproveitamento do espaço, em Berlim, é completamente diferente do aproveitamento que vemos noutras grandes cidades cosmopolitas, onde a pressão imobiliária e a concentração de população, aliadas a histórias seculares de desenvolvimento sem regras claras, determinam a escassez do espaço, o excesso de construções e a existência de muitas ruas demasiado estreitas, onde os peões rapidamente formam as multidões compactas das "horas de ponta". Pois em Berlim, isso não há... A largueza dos espaços é absolutamente fenomenal... A cidade é de tal forma ampla e espalhada no terreno, que o perímetro da cidade já vai em cerca de trezentos quilómetros... Dada essa largueza e total ausência de elevações, a bicicleta é o meio de transporte ideal, e tem os seus percursos próprios na maior parte dos passeios... Mas a bicicleta convive, em Berlim, com um majestoso metropolitano e outros transportes, nomeadamente, claro, os grandes carros Alemães.
Um detalhe surpreendente e engraçado; em Berlim, há calçadinha Lisboeta! Em pedra mais escura que o nosso calcário, é verdade, mas calçadinha, espalhada por mnuitos passeios e zonas residenciais.
Finalmente, Berlim tem a história contermporânea mais perturbada e trágica de todas as cidades europeias do século XX. A intensidade da destruição e dos bombardeamentos da II Guerra, a divisão e ocupação pelas Potencias aliadas, o cerco pela Alemanha Oriental, a Guerra Fria, os Espiões, o Muro, a queda do Muro, a memória do Holocausto.... Os habitantes de Berlim são um grupo especial de notáveis espectadores e participantes em alguns dos mais impressionantes factos políticos de um século atribulado, que preparou o começo de uma nova era, a que actualmente chamamos a Globalização.
Berlim merece uma visita. Para um Lisboeta, como eu, o contraste é riquíssimo... Os Berlinenses sãos os menos Alemães de toda a Alemanha, porque souberam prescindir de algumas manias alemãs, mantendo as melhores virtudes germânicas...
Em Berlim, imaginem, voltei a ver o sinal amigo de "permitido estacionar no passeio", que tantas saudades faz a um Lisboeta vergado ao peso da caça à multa do Governo Sócrates e dos 700 mil funcionários públicos que se promovem aurtomaticamente e nunca podem ser despedidos...
Em Berlim prolifera o divertido comércio de rua, que os desgraçados "shoppings" arruinaram e destruiram, em Lisboa, deixando a cidade sem vida e sem peões a partir das cinco, e matando a classe dos pequenos comerciantes que, sob a égide de João da Regras, puseram em marcha, há uns séculos atrás, a mais bem sucedida solução política de uma grave crise, um sucesso que faz inveja aos políticios de hoje... Esse pequenos comerciantes eram a seiva viva de Lisboas, homens e mulheres capazes de serem patrões de si-próprios e que hoje trabalham como escravos para pagar as rendas leoninas aos donos das grandes superfícies comerciais...
Resta dizer que, em muitos aspectos, nomeadamente alimentação e habitação, Berlim é mais barata que Lisboa.
Como os nossos economistas encartados não dizem as verdades, eu adianto uma explicação para este estranho fenómeno, a todos os títulos inaceitável para um observador da nossa pobreza...
Quanto à alimentação: A Europa subsidiou alegremente a destruição da nossa agricultura, a que se seguiu a destruição dos mercados tradicionais que lhe estavam associados; entretanto, as grandes cadeias de hipermercados a actuar em Portugal criaram, ao longo dos anos, um "trust" que lhes permite agora, depois de uma entrada em pézinhos de lã, com preços baratos para matar o comércio local e conquistar os clientes, ir subindo progressivamente os preços, sem que o consumidor tenha, nesta fase do campeonato, qualquer forma de defesa, até porque já não há concorrência que lhes faça frente... Enriquecem os Belmiros, empobrecem os Manéis, e Lisboa - é um facto... - está mais cara que Berlim (exceptuando, como é costume, a "bica"...!)
Quanto à habitação: - numa Lisboa onde o arrendamento está congelado para salvar 80.000 velhinhos, a especulação no preço da habitação convém a quase todos: convém ao proprietário do terreno, ao construtor, à Câmara que cobra licenças e IMT e, ainda ... aos bancos, que encontram no empréstimo à compra de Habitação uma das suas maiores fontes de negócio, e têm metade da população endividada durante os próximos trinta anos, a pagar casas avaliadas muito acima do valor determinado pelo seu custo real de construção...
Mas, valha-nos isso, nós podemos todos emigrar para Berlim, porque estamos na Europa. Podemos deixar este cantinho encantado até que: - os nossos capitalistas, empresários e banqueiros ganhem juízo e percebam que não se pode matar a galinha dos ovos de ouro, ou seja, o consumidor comum, com margens de lucro descomunais, - e os nossos políticos de esquerda percebam que 21% de IVA é uma bestialidade, para quem ainda tem de pagar IRS, IA, Imposto de circulação, IMI, IMT, Imposto de Selo, Segurança Social, livros e manuais escolares, imposto sobre o tabaco, imposto sobre os combustíveis, imposto de capitais, imnposto de mais-valias, as multas, as coimas, a classe II das portagens e a "Justiça", que não funciona, mas cobra ( paguei largas centenas de euros por umas acções, e estou há um ano à espera do julgamento - que pouca vergonha, cobrar e não fazer nada) ...
Para alegrar: que tal um Porsche Carrera baratinho???
ofilosofo berlinense
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Acabaram há pouco tempo as eleições para a presidência da Câmara de Lisboa.
Uma das vantagens das eleições numa Democracia pouco transparente (isto é, ainda dominada por grupos de pressão, que manipulam e ocultam informações, de forma a defender os seus interesses) é ouvirem-se, durante as campanhas eleitorais, as verdades que durante o resto do tempo se calam... Lá diz o povo que "quando se zangam as comadres...."
Pois durante a campanha eleitoral ouvi algumas coisas que me deixaram embasbacado.
Ouvi, por exemplo: - que a Câmara tem no seu rol de pessoal mais de dez mil funcionários!!!!!
( Como???? Numa cidade com menos de seiscentos mil residentes, e a perder população todos os dias??? Mas isso é um funcionário por cada 60 habitantes????)
- que a Câmara tem milhares de funcionários extra, funcionários "políticos"!!!
( Como??? Pois é, chegam com os Vereadores e os Partidos Políticos, depois de cada nova eleição, e ficam lá pendurados e satisfeitos, a gastar balúrdios ao orçamento da Câmara; é vê-los nos Gabinetes dos Vereadores, nas empresas Municipais - um autêntico regabofe de pouca vergonha oportunista, muito típica do pior Portugal...)
- que a Câmara ía pedir um empréstimo para pagar salários... (Resultado óbvio de todo este disparate...)
Bom, mas António Costa lá foi eleito.
Entretanto, apareceram notícias da primeira decisão de A. Costa, depois de tomar posse:
- suspender o processo de admissão de 466 novos funcionários .
(COMO???? Estavam em admissão MAIS QUATROCENTOS E SESSENTA E SEIS FUNCIONÁRIOS????)
Ainda um pouco entontecido com tanta tontaria - pobre Lisboa, pobre Lisboeta... - assisto depois na TV à maravilhosa solução, recentemente propiciada pela tecnologia, para ocupar algumas centenas daqueles funcionários Camarários, nomeadamente da Polícia Municipal.
OS RADARES!!!
Eureka!!!! Perante uma vintena de ecrãs, funcionários esforçados e sorridentes olham, deliciados, a frenética cadência do registo de infracções e respectivas multas que, diariamente, irá ajudar a pagar os salarios a toda aquela tropa camarária. É preciso SEGURANÇA! Toca a andar a 50 KM. Daqui fazemos uma sugestão importante ao António Costa... Se o dinheiro não chegar, pode-se baixar a velocidade para 30kmh, EM POSTURA MUNICIPAL.
Fazemos esta sugestão ao A.Costa porque achamos que António Costa já percebeu que a brincadeira acabou. António Costa pertence a um Partido que prometeu não aumentar impostos, antes de ser eleito, e depois fez o contrário!!! Ele sabe que, depois dessa mentira, só há uma maneira de limpar a imagem - é apresentar boas contas!!!
António Costa sabe que o Socialismo falhou... A distribuição da riqueza já foi chão que deu uvas...
A Europa não vai continuar a pagar os funcionários que não funcionam... Agora,se queremos riqueza, temos de a produzir...
O plano socialista/comunista, diga-se, depois de esgotado o plano distribuidor revolucionário das Nacionalizações do 11 de Março, até era bem congeminado: - esgotados os filões da Revolução, "aderir" à rica Comunidade Europeia. - O Estado Português, que os Portugueses, ( graças a ideologia de Socialistas e parentes próximos ), vêem agora como UMA GRANDE COMPANHIA DE SEGUROS, iria distribuir aqui as indemnizações e os subsídios, mas ía cobrar os prémios e franquias no Banco Central Europeu, assim retirando aos ricos europeus a parte que nos cabe no latifúndio da Riqueza Mundial (ou Europeia...).
Eu sei que a ideia é tentadora.... Eles, BCE, imprimiam as notas, lá; depois, mandavam-nas para cá, através do solícito Vitor Constâncio, ( outro "socialista", que deixou o amigo Sócrates dizer, na campanha eleitoral, que não ía aumentar os impostos, para dois dias depois das eleições, num clássico exemplo de hipócrita real politik maquievélica, lhe fazer o frete de vir explicar ao Povo que as contas exigiam o aumento dos impostos...) e do Banco de Portugal; o BP depois passaria as notas, mensalmente, ao Estado Português, que depois as distribuía, com a colaboração, o empenho e o trabalho insano de 700.000 funcinários, pelos (10) milhões de cidadãos-funcinários... Mas não! Parece que não vai ser assim !!! O Banco Europeu mandou as notas, é verdade... A prova é que estamos no EURO. Mas exigiu um recibo como prova da dívida...Agora, meus amigos, temos que pagar o que devemos. Acabou-se a solidariedade com este simpático País Periférico. O BANCO CENTRAL EUROPEU já nos mostrou o cartão amarelo há três anos!!!... Outra falta e... CARTÃO VERMELHO!!! A.Costa, avisadamente, tomou a decisão certa em relação aos 466 processos de admissão.... Mas... claro, diga-se, por imperativos de transparência em Economia Política, que eu não sou um dos candidatos a funcionário da Câmara, não pertenço ao Grupo dos 466!!! Se fosse, e estivesse aflito para ter emprego, falaria assim???... (Ou estaria na Praça do Município em MANIF contra o Costa?)
Dito isto, é altura de perguntar: - Será que Marx tinha razão, quando dizia que todos nós estamos dominados pelos interesses, e que a Economia, portanto, domina e determina a Política? Tendo em conta a teoria Evolucionista de Darwin, ( na sua versão simples..), com o seu primado do mais forte, do mais adaptado, então todos os seres vivos estão subjugados e determinados pelo instinto da sobrevivência.
Se assim é, então a conclusão lógica a retirar é que Marx teria razão...
Ou seja: enquanto os animais disputam a sobrevivência na Natureza, nas rochas das ilhas Gálapos ou nas savanas Africanas, no deserto sahariano ou na floresta amazónica, nós lutamos pela sobrevivência na Cidade, na Polis, na Política, na Economia Política.
Não admira que muitos tenham dito e crido, ao longo dos séculos, que Jesus Cristo é Divino... O contraste conosco, e com a nossa mesquinhez quotidiana, é avassalador...
Mas sejamos justos: muitos outros seres humanos foram capazes de dar mais do que pediram ou receberam, foram capazes de não se subjugarem aos interesses...
Aliás, não é assim tão difícil ou impossível... Basta saber que a vida não é uma luta contra a escassez, como diz o Evolucionismo, mas o uso ( e uma gestão, de preferência certa...) da abundância. A Abundância existe; a Ganância existe. A Humanidade, também existe; é uma sinfonia cheia de notas fora de tom. É uma polifonia, a descambar, por vezes, para a cacofonia. Querem uma sugestão para acabar numa nota de optimismo? Talvez a leitura de alguns textos do Agostinho da Slva???? Recomenda-se o que ele diz sobre a Idade da Abundância...
Ou, se querem música,ouçam o OH!Q'ESTRADA
ofilosofo
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