Nem todas as situações saiem a contento da lógica e da coerência que nos parece óbvia...
Vejamos uma dessas circunstâncias, que parece um hino ao paradoxo...
De um lado, temos o Parque Natural da Arrábida. Dizem as vozes inteligentes e peritas em ecologia que é preciso preservar a Serra da Arrábida, mantê-la na sua original naturalidade de pérola antiquíssima dos reinos mineral, vegetal e animal.
Parece uma exigência incontestável, um programa aliciante e compensador...
O desprevenido visitante começa então, partindo de Setúbal ou Sesimbra, conforme venha de Leste, ou de Oeste, a percorrer as encostas da serra, aquelas agrestes arribas sobranceiras ao mar límpido, sorvendo o ar puro e o aroma daquela vegetação bravia. E acaba por aceitar as restrições impostas em prol da conservação da Serra.
As estradas são estreitas e curvilíneas, não há hóteis, restaurantes, bom estacionamento e acesso às praias, enfim, naquela zona protegida o cidadão vê-se privado dos equipamentos que normalmente se encontram nas áreas de beleza natural e desenvolvidas para o lazer, o turismo, até para a cultura.
É um sacrifício compensado pela preservação do equilibrio ecológico da Arrábida.
No entanto, ao aproximar-se do coração do Parque Natural da Arrábida, já perto das praias viradas para a baía de Setúbal, mais concretamente no Outão, o cidadão depara-se com um dantesco, melhor, literalmente iinfernal, cenário: o desventramento da Serra da Arrábida pela SECIL.
A SECIL escava, escava, explosivos para cima e para baixo, a cratera aumenta e cresce pelas encostas.
Pergunta o cidadão ingénuo ( assim se qualifica hoje quem ainda julga que há princípios...) - Não é preciso preservar a Arrábida? - Como é que não param com a SECIL??? - Então não fecham a SECIL???
Mas não! Ninguém vai responder...há silêncios convenientemente esticados para cobrir, ou encobrir, os entendimentos e acordos espúrios...
Entretanto, já em Setúbal, e ainda preplexo perante aquele horrível monstro industrial que destrói uma das mais belas paisagens Portuguesas, o cidadão ingénuo encontra, ao passar numa das curvas de Setúbal, um edifício chamado "Pavilhão Desportivo da Casa do Pessoal da SECIL".
Aaaahhhhh.... Perante este poderoso exemplo de colaboração entre Capital e Trabalho, assaz raro neste País, entrevemos uma possivel explicação do que se passa...
A situação parece ser a seguinte: O pessoal da Casa de Pessoal de PORTUGAL, beneficiário do Parque Natural da Arrábida, decidiu ceder os seus direitos ao pessoal da Casa de Pessoal da SECIL...
Porquê? Quem tomou essa decisão, e representando que interesses? Quando é que esse tema foi debatido publicamente? Vale a pena perguntar? Ou estou a ser ingénuo?
ofilosofo.
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Li hoje uma entrevista do ilustre Presidente do Conselho de Reitores.
Quem ocupa um cargo destes arrisca-se a ser tomado por voz representativa da corporação a que pertence e a que tão garbosamente preside....
Andam os reitores universitários a dirigir o ensino universitário desde o século XIII do grande D. Dinis. São muitos anos.... um prazo muito largo para formar as elites deste País. As estratégias dos ilustres reitores, nas últimas décadas, dados os resultados negativos do Sistema Educativo, têm de ser revistas...
Nos Países onde as elites sabem agir, porque são respeitados os melhores princípios e valores que a cultura humana já produziu, o bom exemplo alastra.... Espalham-se, assim, as "boas práticas" sociais aos cidadãos comuns...
Ao longo do tempo e das gerações, o senso comum aperfeiçoa a suas referências, cresce e dignifica-se. Este crescimento é o resultado de uma dinâmica positiva de respeito mútuo e interação entre o cidadão cumum e os cidadãos ilustres... Sempre que olhamos para sociedades e culturas que marcaram uma época, que contribuiram para a História da Humanidade, vemos esta dinâmica em acção.
Quando as elites não têm valor, quando não dão exemplos positivos e a sua presença é apenas o testemunho conservador, irritante e incómodo, dos privilégios de que se julgam merecedores, então não tarda a que as elites despertem, não a admiração, mas a inveja; não se vislumbram, de facto, razões que justifiquem tais privilégios...
Nas últimas décadas as nossas elites têm-se portado muito mal... veja-se o escândalo da elite dos "Gestores Públicos"... Depois de uma Revolução que promoveu as nacionalizações, ficaram nas EP, as empresas públicas, a maior parte do património nacionalizado, do POVO, nosso.
E o que aconteceu??? Os Gestores Públicos, em quem o POVO fez confiança para gerir esse património, não só deixou essas empresas, na maior parte dos casos, em situção deficitária, como se pagaram com os mais desavergonhados benefícios e regalias!!!! Fizeram-nos o favor, há que reconhecer, de deixar uma marca indelével e um exemplo inesquecível do pior oportunismo Português.
Mas voltemos ao nosso Presidente do Conselho de Reitores. O Presidente afirma na entrevista que não pode deixar ao mercado, isto é, ao critério de todos nós, os cidadãos comuns, a avaliação dos professores ou das instituições ou dos diplomas...
Não. Em Portugal o "mercado" é imaturo, obtuso, incapaz de exercer as suas funções. Ou melhor, os cidadãos que, na prática, compõem o mercado, são demasiado ignorantes e estúpidos para saberem exercer um dos mais básicos direitos da cidadania, a liberdade de escolher o que se compra. Ora, são so cidadãos que compram, e pagam, o trabalho dos ilustres Reitores e demais académicos...
Portanto, temos de concluir também que, inteligentes e esclarecidos sãos os ilustres académicos. São as elites, no dizer do Sr. Presidente do Conselho de Reitores, que têm competência para avaliar a competência com que exercem a sua profissão.
Só que....
Só que, Sr. Presidente, a imaturidade do mercado, que o Sr. tão despudoradamente reconhece e assinala, é a prova acabada da incompetência das Universidades deste País... Em oito séculos ainda não conseguiram transmitir às sucessivas gerações de cidadãos comuns o exercício da mímina inteligência que é exigida para se escolher o melhor produto do mercado??? Ainda não??? Se os cidadãos comuns e interessados, normalmente Estudantes ou Encarregados de Educação, ainda não são capazes de reconhecer quais os bons (universidades, professores, cursos, diplomas...), quais os maus e quais os assim assim, então como é que se exerce a avaliação - a avaliação que promove, ou reconhece, a qualidade?
Ah, bom, isso...
Isso, ou fica definido e petrificado na rigidez das sacrossantas tabelas ( tabelas de remunerações, de subsídios, etc...) de cariz político e igualitarista, elaboradas por directórios políticos que, geralmente, são tão interesseiros na distribuição de benesses aos amigos como paternalistas no seu desprezo pelo povo que dzem representar e em nome do qual dizem decidir.... Ou, em alternativa, fica estipulado em regulamentações dimanadas de elites da própria corporação Universitária, como o Conselho de Reitores, alegando estas elites estar a exercecer a sua suposta "autonomia".
Pergunta-se: mas então, desde quando decide melhor e mais imparcialmente quem está dependente e comprometido cm os resultados das avaliações?
Sim, têm competência... Mas têm o carácter necessário? Têm a coragem e a nonestidade para apontar as falhas, retirar regalias, encurtar benefícios e anular previlégios a quem os não mereça????
Devemos nós acreditar mais na auto-avaliação destas elites, que são altamente corruptíveis pela irresistível atracção de poderem manter, ou até aumentar, os privilégios de que usufruem, do que na avaliação e exigência dos que, na prática, pagam os serviços dessa elite e irão, inevitavelmente, sofrer com a falta de qualidade das Universidades, dos professores, dos diplomas???
Por mim, Sr. Presidente do Conselho de Reitores, continuo a preferir o mercado!
Quem compra serviços Universitários (e os paga) tem todas as razões para exercer uma avaliação cuidadosa, e para melhorar progressivamente essa avaliação...Sempre que avaliar mal, sofrerá na pele (ou no bolso) as consequencias dos seus erros, e terás toda a motivação necessária para corrigir a sua avaliação.
Já no caso dos ilustres académicos, que vendem esses serviços, eles estão reféns dos seus próprios. interesses....
Até, ofilosofo João Seabra Botelho |
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Num Evangelho apócrifo, o pseudo-Mateus, conta-se a fuga para o Egipto de Jesus, Maria e José.
O deserto era inóspito e a viagem foi difícil. Num dia de grande calor, Maria senta-se à sombra de uma palmeira, exausta pelo calor, a fome e a sede.
A palmeira era alta e os seus frutos, lá no alto, não podiam ser facilmente colhidos.
Foi então que a criança Jesus ordenou à palmeira que se curvasse e que baixasse os seus ramos até que as tâmaras pudessem ser colhidas pelas mãos da sua Mãe.
No já longínquo século IV admitia-se a acção voluntária e eficaz do espírito humano, ou divino, sobre a Natureza. Quase um milénio depois, já no século XIII, ainda se acreditava que o nosso Santo António de Lisboa pregava aos peixes, e estes ouviam.
Mas se a possibilidade de existirem seres excepcionais, que eram capazes de provocar acontecimentos excepcionais, únicos, por vezes chamados de "milagres", foi aceite com naturalidade durante muito tempo, tal situação alterou-se há alguns séculos. Podemos usar a Revolução Francesa como um útil marco temporal para assinalar a época em que se começou a dar primazia à noção de "Igualdade entre os Homens". Igualmente por estes anos, mais concretamente no tempo das chamadas Luzes, se verificou também a vitória da Causalidade Mecânica. Perante a imperatividade científica da causa próxima, fechou-se a cadeia sequencial da causa-efeito, o que veio impedir, ou afastar para os reinos da utopia ou da loucura, qualquer ocorrência de um "milagre", isto é, de acção por causa remota.
Quem diria, porém, que tal visão determinista e materialista teria na Física, exactamente a ciência que mais contribuíu para a instauração do materialismo da Era Moderna, a ciência que, na sequência dos trabalhos de Bohr e Heisenberg, iria devolver alguma plausibilidade à acção eficaz e participante da consciência humana nos eventos naturais?
De facto, com as surpreendentes descobertas da Física Quântica, já antecididas pelas surpresas da Relatividade, cairam por terra fragorosamente as teses que, cientificamente, justificavam essa visão Racionalista de uma Existência limitada pela impenetrável Matéria.
Encarcerado no Universo Infinito e sujeito ao Determinismo, o Homem posterior à Revolução Francesa viu-se preso, encurralado no Mundo Natural. E se o Género Humano ganhou a dignidade que lhe advém e é atribuída na legislação dos Direitos Humanos, perdeu a dimensão de representante do Divino na Guilhotina da História.
A partir daí, e como diriam mais tarde os Existencialistas (ainda absortos na Física Materialista Novecentista), ficou "condenado à liberdade". Este deprimente e potencial nihilismo só era compensado pelo orgulho na descoberta das Causas e das Leis que, embebidas na Matéria, geravam o enorme prazer de controlar as forças da Natureza.
Mas no extremo limite, o plano falhou, uma vez que a própria investigação científica, levada a cabo pelos grandes Físicos acima mencionados, levaram a consequências totalmente imprevistas. Afinal, a Matéria, a inerte, densa, impenetrável, universal, estável e substante, no seu extremo limite elementar e microscópico, é composta por paradoxais quanta, que cantam louvores a Zenão de Eleia... Se já a Relatividade viera dizer que a Matéria era, essencialmente, energia, deixando algo descalços os Materialistas, o golpe final e de misericórdia na Física Clássica veio dos Quanta, do princípio da incerteza, da teoria do caos, etc...
Estamos agora perante uma Física de multiplas realidades, de possíveis (matematicamente comprovadas por Goedel???) viagens no tempo, de velocidades superiores à da luz, em que a acção à distância, de causas não só remotas mas, até, de outra realidade, à "MATRIX", lançam na cultura popular as bases de uma Nova Era (New Age), preparando-nos a todos para virmos a recordar e viver novos paradigmas, tão assombrosos e surpreendentes como os dos século IV...
Estamos agora perante uma Física que afirma como indiscutível e inevitável a influência da consciência humana sobre os eventos "materiais"...
As palmeiras vergam-se, a pedido de uma criança? Não?
Então e uma partícula pode estar em dois locais diferentes ao mesmo tempo?
Estamos na Era do Aquário.... Noutros termos, talvez se diga do Espírito Santo? Aqui para nós, que ninguém nos ouve: os António Vieira e os Agostinho da Silva não eram nenhuns lunáticos! Os Materialistas e os racionalistas do Reducionismo é que foram (e são, coitados!) quadrados...
Até, ofilosofo |
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Muito se fala em Economia, neste País.
Fala-se, fala-se, mas a julgar pelos resultados, poucos sabem o que estão a dizer...
Assim sendo, se eu botar discurso, não corro grande risco de dizer mais asneiras que os outros.
O Capitalismo, digo eu, parece ter surgido em Portugal com o Infante D. Henrique, uma vez que este Príncipe, na sua qualidade de Mestre, reuniu os capitais da Ordem de Aviz, ex Ordem dos Templários, futura Ordem de Cristo, e fez o PRIMEIRO INVESTIMENTO CAPITALISTA em Portugal.
Sistematicamente, o nosso Infante equipou navios e enviou-os em busca de rotas marítimas que, um século depois, fizeram de Portugal a mais florescente Nação Europeia.
Porém, infelizmente para nós, a POLÍTICA (ou a Religião) correu mal... Ao expulsarmos os Judeus, perdemos as pessoas capazes de gerir os resultados desse INVESTIMENTO, capazes de organizar e disciplinar as Finanças, passo indispensável para desenvolver e solidificar, a longo prazo, as frágeis estruturas de uma nascente sociedade Capitalista em Portugal.
Assim, em Portugal , ficámos no Mercantilismo, dedicámo-nos prioritariamente ao Comércio, e deixámos para segundas núpcias as preocupações com a POUPANÇA, a formação de CAPITAIS e a credibilização dos grandes projectos de INVESTIMENTO.
Ora, provavelmente bem avisados pelas agruras e aflições que suportaram ao longo dos séculos de Diáspora, os Judeus, para além de excelentes comerciantes, tinham-se especializado na POUPANÇA e no INVESTIMENTO.
Uma vez expulsos da Península, os Judeus refugiados na Europa do Norte aliaram-se a Protestantes e Calvinistas, que não viam fariseus onde houvesse dinheiro nem desprezavam, como os nobres Católicos, a riqueza gerada pelo trabalho, para desenvolverem a grande invenção económica da Era Moderna, o Capitalismo, certamente o sistema económico que, na História da Humanidade, mais sucesso teve a gerar riqueza.
O grande segredo do Capitalismo não me parece difícil de entender... Mas, em Portugal, já sabemos, a Cegueira é um Desporto Nacional (senão não teria merecido um ensaio de Prémio Nobel...) e muitos vivem, com um olho, de vender palavras difíceis e de complicar os problemas, para encarecer as soluções...
O Capitalismo, digo eu, veio completar e enriquecer a dinâmica dos processos da Economia Mercantil, em que as categorias principais são a Produção e a Transação, acrescentando novas categorias ao pensamento e aos processos económicos, nomeadamente as já referidas categorias da POUPANÇA e do INVESTIMENTO, que, em bom rigor, passam a ser categorias financeiras, já não apenas económicas. A economia Mercantil teve no desenvolvimento dos Mercados a sua oportunidade de crescimento. Vejam-se as consequências que a Europa sofreu quando se deu a invasão Islâmica, que fez a Europa regredir para a Economia Agrária, para o Feudalismo autoritário, ao impedir-lhe o bom acesso aos mercados do Mare Nostrum, o Mediterrâneo, porta para o Médio Oriente, o Norte de África e a Ásia.
Quanto ao Capitalismo, teve no desenvolvimento da Moeda e de outros instrumentso creditícos e financeiros, a sua oportunidade histórica de crescimento. O financiamento das longas e lucrativas viagens marítimas inauguradas pelso Portugueses foi uma das primeiras oportunidades de instituir e testar esses instrumentos financeiros.
Com o gradual desenvolvimento da crescente actividade financeira, assente na estabilidade das Nações e das Burguesias emitentes dos títulos financeiros, gerou-se um mercado próprio para as actividades do Capital, cujo desenvolvimento permitiu à Holanda e à Inglaterra a rápida criação de poderosas Companhias, como as Companhia das Indias Orientais, que foram a primeira bandeira do enriquecimento da Europa Protestante.
Foi, portanto, esta Europa Protestante que liderou a evolução para as estruturas capitalistas que permitiram, mais tarde, a Revolução Industrial. As sociedades e estruturas económicas de Portugueses e Espanhóis, assim como do mundo Católico em geral, mantiveram-se por demasiado tempo muito dependentes e agarradas ao sistema Agrário e Mercantil, cultivando o Conservadorismo Político, Jurídico e Religioso. Gradual e inexoravelmente, foram ultrapassadas e perderam as vantajens que iniclamente tinham obtido com o arrojado Projecto Capitalista dos Descobrimentos, da Expansão e da Colonização.
Ora, séculos depois de todos estes acontecimentos, vemos que a grande lição Capitalista ainda não foi devidamente digerida, em Portugal... Oscilando entre os problemas da criação de riqueza e da distribuição dessa riqueza, a retórica de uns é contrariada pela retórica de outros, e dificilmente alguém convence alguém, para se poderem gerar os grandes consensos que, necessariamente, têm de presidir às grandes decisões estratégicas.
Toda a gente se queixa da Economia...
Na maior parte das vezes, as queixas da vox populi abordam apenas os problemas de distribuição da riqueza. Vê-se qie ainda poucos falam, ou percebem, a importância fulcral do INVESTIMENTO, que preside à CRIAÇÂO DE RIQUEZA.
Sendo a base para uma actividade intensa e continuada de bons investimentos um prévio consenso estratégico sobre as grandes orientações da futura actividade económica, seria importante que a nossa sociedade não se perdesse em conflitos e polémicas sobre as mais básicas premissas da actividade económica... Seria bom que todos pudessemos , em termos simples, acordar que o objectivo é sermos um País rico, com uma população que participa e usufrui dessa riqueza de forma equitativa e justa, evitando os obstáculos à criação da riqueza, em nome da boa distribuição da mesma... Infelizmente, a Política de Esquerda, que ainda não digeriu convenientemente a vitória do Capitalismo, nem actualizou as suas doutrinas Políticas para poder lidar convenientemente com os resultados dessa vitória, continua agarrada ao preconceito da exaltação do valor do TRABALHO e desprezo pelo valor do INVESTIMENTO. A velha Esquerda insiste no velho slogan populista "vamos acabar com os ricos e distribuir a riqueza por todos", que é um convite à preguiça e á recusa de correr os riscos inerentes ao INVESTIMENTO.
Além disso, esse sonho de Robin Hood, embora simpático, não resolve nada a longo prazo porque a riqueza que já existe nunca chega para todos, para todo o sempre... É preciso, continuamente, criar mais riqueza, muito mais, tal como a População e o Consumo continuam, sempre, a crescer!
E para criar riqueza num processo contínuo, é também preciso saber GERIR a riqueza que já existe - parte dela tem de ser aforrada e acumulada para fins de investimento!!! Ora, mostra a experiência que só a boa gestão garante que, da riqueza gerada por um bom negócio, parte dessa riqueza é devidamente canalizada para os instrumentos financeiros que irão garantir novos, e bons, investimentos.
Em suma, como diz o ditado: dinheiro traz dinheiro. A riqueza precisa de riqueza, o Investimento precisa de boa Gestão.
Sobre isto, a (nossa) Esquerda parece que pouco sabe e parece que não gosta de quem sabe - os tais ricos, naturalmente... Trágica contrariedade!
Quanto à Direita, e ao ricos de Portugal, continuam a ter dificuldade em perceber que o Capitalismo se baseia nas ideias, nos PROJECTOS. O Capital é a Cabeça, a Inteligência que vê as oportunidades, que concebe os processos, que angaria os meios, que determina as finalidades.
É nos projectos, nos bons projectos, que vale a pena investir... É nas boas ideias que assenta a boa gestão. Bons investimentois e boa gestão geram um circulo virtuoso de criação de valor, que gera a riqueza que, INEXORAVELMENTE, se vai espalhando e enriquecendo TODO o tecido social.
A grande vitória do Capitalismo sobre o Comunuismo assentou, entre outras coisas, no facto de o Capitalismo necessitar, ao contrário do que MArx profetizava, que haja CONSUMIDORES, e consumidores com PODER DE COMPRA!!! Ou seja, a maioria da população de um País Capitalista tem que estar habilitada a poder comprar, em mercados transparentes e abertos à concorrência. Assim se gera a MELHOR OFERTA, assim se pode estimular o desenvolvimento da Economia.
Logo, os salários não podem ser de miséria!!! O Capitalismo só cresce com o progressivo aumento da riqueza, ou poder de compra, do CONSUMIDOR. Além disto, se os bons projectos, que atraem o INVESTIMENTO, dependem da Inteligência, então a oportunidade de enriquecer não está apenas na mão de QUEM JÁ É RICO (o que refuta mais uma das principais falácias dos Marxistas...). Enriquece quem é mais Inteligente e trabalha para isso...
Veja-se o caso dos homens mais ricos do Planeta... Bil Gates ou Warren Buffett não herdaram qualquer fortuna...
Mas os bons projectos, ou as boas ideias, denotam, sem surpresa, uma certa tendência para nascer em sociedades cultas, educadas, vivas, LIVRES. Ora, a Direita Portuguesa, que poderia estar vocacionada para promover o desenvolvimento do melhor Capitalismo, mostra, pelo seu passado e política Autoritária e Conservadora, que prefere ser mais ciosa dos privilégios do que dos méritos...
O BOM CAPITALISMO nasce da Liberdade, em sociedades Liberais onde os cidadãos gozam de direitos e responsabilidades que lhes permitem exercer em pleno as suas melhores capacidades no aproveitamento das melhores oportunidades.
Perguntemos agora, simplesmente:em Portugal, como está o INVESTIMENTO? Onde está o INVESTIMENTO? E a BOA GESTÂO?
A resposta, óbvia, é: O investimento é baixíssimo. E o pouco que existe, nem sempre é bom.
Quanto à Gestão, basta olhar... Este País mostra uma forte tradição de cambalachos e de corrupção, da gestão de vista curta e subsídio-dependente, de especulação e riqueza fácil, de mercados distorcidos, protegidos e dominados pelas corporações, de condições contratuais leoninas impostas pelos mais fortes aos mais fracos, de falta de rapidez e alguma incompetência dos Tribunais nas mais complexas questões jurídicas com incidências económico-financeiras....
As boas práticas são, ainda, uma excepção que, em algumas empresas, confirmam a regra das más práticas da maioria...
Entretanto, fala-se muito de economia... Mas onde estão as soluções para o INVESTIMENTO e para a BOA GESTÂO?
É que, sem essas soluções, o problema da Economia vai continuar... insolúvel.
Até, João Seabra Botelho ofilosofo
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Numa conversa entre especialistas de Direito afirmou-se que os Portugueses andam pouco preocupados, ou sequer atentos, à legislação do seu País, em especial aquela que incide sobre os Direitos, Liberdades e Garantias fundamentais.
A situação é esta: em termos Constitucionais, a nossa legislação é das mais cuidadosas com os valores liberais ( do liberalismo entendido como a doutrina que afirma a liberdade humana como o princípio fundamental, ou finalidade, da sociedade humana, não o "liberalismo económico" que serve de bode expiatório a toda a esquerda conservadora e passadista). Não surpreende que assim seja, porque a nossa Constituição foi feita "contra" o Estado Autoritário fascista, nos calores revolucionários do PREC.
Mas já em termos de legislação ordinária, como, por exemplo, o Código Penal, a situação altera-se radicalmente...
Essa legislação é feita pelos políticos que se servem das benesses do Estado e as prometem a toda a gente...`Foi feita ao longo destes trinta anos de democracia, em que a Liberdade já não é um assunto premente, mas sim a "vidinha" - a saúde, o emprego, a reforma, a educação, etc...
E é esse Estado gordo ( 730.000 funcionários, que escândalo...), é esse Estado salvador que vai fazer recair sobre o Cidadão, ao longo dos anos, de forma quase subrepticia e disfarçada, todos os ónus e custos da sua própria ineficácia...
Sempre que há uma dificuldade para o Estado cumprir com os seus deveres, corta-se na liberdade ou nos direitos do cidadão, corta-se na sua capacidade de exigir ou de vigiar os poderes públicos.
Exemplos? Problema: Os tribunais fiscais demoram muitos anos a julgar casos, e esses casos acabam por prescrever. Solução? Seria apressar o ritmo dos tribunais, claro... Não, não, a solução foi acabar com as prescrições!!!!!!
Problema: a investigação criminal é lenta e ineficaz, não produzindo acusações devidamente fundamentadas em tempo útil. Solução: aumentar os meios e a eficácia da investigação judiciária, claro... Não, não, a solução foi AUMENTAR o prazo em que um preso pode estar detido sem acusação.
Em conclusão, para vermos até que ponto o nosso País, ilustre membro da UE, é bem diferente do Reino Unido, onde a luta pelos direitos do cidadão leva já alguns séculos de avanço, basta fazer uma pequena comparação:
Tempo de detenção permitido por Lei, no Reino Unido, sem acusação : 98 HORAS Tempo de detenção permitido por Lei, em Portugal, sem acusação: 8 MESES!!!!
Uma pequena diferença.... Até, ofilosofo |
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Ouvi hoje na rádio que, em Itália, os condenados a prisão perpétua escreveram uma carta ao Presidente da República pedindo a REINSTITUIÇÂO DA PENA DE MORTE.
Argumentam eles que a pena de prisão perpétua é uma selvajaria, pior que a morte por execução... É a morte lenta, é uma tortura...
À medida que o tempo médio de esperança de vida aumenta, fruto da maturidade da organização social qie dispensa bons cuidados médicos e permite uma boa satisfação das necessidades primárias, a maturidade do espírito humano vai também exigindo uma maior proximidade e conhecimento da morte. De que vale uma vida longa, se não há uma "boa morte"? De que vale a velhice prolongada, se for sinónimo de senilidade, esquecimento, incapacidade e dependência indigna?
Mas além deste estudo e observação das condições que levam a uma "boa morte", ou EUTANÁSIA, também vemos outras facetas deste longo e secular diálogo com "a minha amiga morte".
Uma dessas facetas é o chamado "terrorismo", com as suas mortes ditas assassinas mas que, no reverso da medalha e do universo político, alguns chamam "martírios" - à imagem dos mártires Cristãos, vítimas do paganismo cruel do Império Romano, sucedem-se agora os mártires Islâmicos, vítimas do politeísta Império Ocidental, ou Americano.
Por carta, temos agora os presos "perpétuos" a solicitar que lhes concedam uma outra perpetuidade, mais livre ou libertadora, a pena de morte. Pedem-na como um acto de misericordia, semelhante ao abate dos animais feridos mortalmente. Ao que parece, os presos não terão a coragem, ou a insensatez, de procurar, pelos seus próprios pés, ou mãos, a boa morte - nem pelo suicídio, quanto mais pelo martírio.
Esta carta faz-nos também recordar esse excelente filme chamado: "Os cavalos também se abatem"...
Mas uma coisa é morrer, outra é matar...
Na morte por misericórdia, o acto de matar é que parece ser o mais difícil, já que o benefício pende quase exclusivamente para o lado de quem morre...
Talvez por isso, um deputado italiano já reagiu ao pedido dos presos propondo, não uma lei a repôr a pena de morte, mas uma lei a acabar com a prisão perpétua.
Não faltará quem venha dizer, um dia, que esta carta foi uma obra prima da arte de bem negociar...
Até, ofilosofo
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Dizia hoje uma televisão, com imagens (suepreendentes...), que tinha caído neve em África... Por baixo, uma legenda que chamava a atenção à mudança do clima...
Mas, cá para mim, pensei: então a neve não caíu já muitas vezes em África??? Então vejamos:
Caíu quando chegaram as legiões romanas e destruiram Cartago. Caíu quando a cruz e o crescente apagaram o fogo das noites de magia e dança do tempo remoto. Caíu quando chegaram europeus e levaram, acorrentados, os vencidos, para serem escravos do algodão e da cana-do-açúcar. Caíu quando choveu petróleo e jorraram diamantes e o sangue esguichou, enquanto entravam os rockets e o dinheiro saía para a Suíça.
Sim.... A neve já caíu muitas, muiitas vezes, em África...
A mudança assustadora, é a mudança amiga... Quando o mal e o bem se sucedem, sem que haja (à vista) quem possa evitar a sucessão, o melhor a esperar é a mudança permanente... Olha se tudo parasse na vez do mal???
Até. ofilosofio |
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Em Maio de 1974, na Faculdade de Letras da U.Lisboa, as reuniões, plenários e outas manifestações de acesa política revolucionária sucediam-se quase diariamente.
Timido e apolitico q.b., eu pouco intervinha... mas pasmava perante o entusiasmo e prosápia dos "políticos", os jovens meus colegas que pertenciam às organizações empenhadas na Revolução. Basicamente, brilhavam os jovens do MRPP e do Partido Comunista... Paz, Pão e Habitação, gritavam... Como podia eu não me sentir maravilhado com aquele apelo tão primário e intenso, o contrário das longas e monótonas exposições filosóficas da academia que, quando chegavam ao fim, já eu não me lembrava como tinham começado.
Que fazer com aquele curso de Filosofia, burguês e reaccionário até ao pescoço? Eis a questão que, poucos dias depois do 25 de Abril, foi debatida em profundidade, numa dessas assembleias ... Ao fundo, encostado à ombreira da porta, escutava calmamente o teor das intervenções um dos jovens professores assistentes do Curso. Ao contrário dos Catedráticos, que foram praticamente todos "saneados" - para quem não reconheça este chavão revolucionário, " saneamento" era a demissão por motivos políticos, o que, em termos filosóficos, significava professores que tinham a ousadia de não ensinar o materialismo histórico, o materialismo dialético, o marxismo-leninismo, etc... - os assistentes prosseguiram a sua carreira académica. Um deles, chegou a reitor da Universidade ( Barata Moura) e um outro, o que estava encostado à tal ombreira, passados alguns anos mais na Universidade estatal, passou a professor da Universidade Católica....
Nessa assembleia, sugeri, a certa altura em que, finalmente, me atrevi a pedir a palavra, que talvez não valesse a pena haver um Curso de Filosofia só para supostos "filósofos"...Para mim, a questão era clara - a Filosofia , ou era o filosofar de cada pessoa, ou então era História...
Sugeri que se transformasse o Curso de Filosofia num conjunto de seminários abertos sobre diferentes temas, a que pudessem assistir todos os estudantes universitários interessados, que veriam nesses seminários uma actividade extra-curricular de valorização pessoal e cultural, uma espécie de pós-graduação na arte de pensar e de enfrentar o significado da ignorância.
Um dos alunos presentes nessa assembleia virou-se então para esse professor e perguntou-lhe: que acha desta ideia? Ele respondeu: Bom, esse esquema é demasiado vago, assim não se pode garantir a competência filosófica.
Ahhhhh....
Lendo agora, no site da Univ. Católica, a apresentação do curso de Filosofia, passados mais de trinta anos sobre aquela assembleia, parece que a minha sugestão caminha a passos firmes para se tornar realidade...
Vai uma aposta???
Até breve, ofilosofo |
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